Um novo ciberataque de grande dimensão voltou a atingir instituições públicas do Reino Unido. Desta vez, o alvo foi a Base de Dados Jurídica Nacional da Polícia (PNLD), de onde terão sido roubados cerca de 135 mil registos, incluindo informações pessoais de mais de 100 mil polícias e profissionais ligados ao sistema de justiça.
Segundo o jornal espanhol ‘ABC’, o ataque foi reivindicado pelo grupo de hackers ExfilSquad, o mesmo que, na semana passada, divulgou mais de 600 mil registos pertencentes a funcionários do Departamento de Educação, universidades e escolas públicas britânicas.
Nomes, e-mails, palavras-passe e localizações
Os cibercriminosos afirmam ter acedido a dados altamente sensíveis armazenados na Base de Dados Jurídica Nacional da Polícia.
Entre a informação roubada encontram-se nomes completos, endereços de correio eletrónico, palavras-passe, a força policial ou organismo onde cada profissional trabalha e até a sua localização.
Os hackers alegam ainda ter obtido informação relacionada com o Ministério da Defesa, o Ministério do Interior, a Agência Nacional de Combate ao Crime e o Ministério Público britânico.
“Os polícias estão em sério risco”
Um agente afetado pelo ataque, citado pelo ‘The Telegraph’, afirmou que a divulgação destes dados representa um risco real para quem combate o crime organizado.
Segundo explicou, devido ao trabalho desenvolvido contra organizações criminosas e à participação na detenção de suspeitos de elevado perfil, já foi anteriormente obrigado a mudar de casa e a vender automóveis por razões de segurança.
Agora, diz, terá de redobrar os cuidados.
“É muito preocupante e coloca os polícias em sério risco”, afirmou.
“Paguem ou divulgamos tudo”
O grupo ExfilSquad garante que, para já, publicou apenas uma pequena amostra dos dados roubados.
No entanto, ameaça divulgar toda a informação caso as entidades afetadas não paguem um resgate, cujo valor não foi revelado.
Numa mensagem publicada online e citada pelo ‘The Telegraph’, os hackers deixam um aviso direto:
“Quando os dados da vossa organização forem publicados aqui, nunca mais desaparecerão da internet.”
E acrescentam:
“Sejam inteligentes e paguem.”
Federação da Polícia pede reforço da cibersegurança
Na sequência do incidente, a presidente da Federação da Polícia britânica, Tiff Lynch, afirmou que a fuga de informação levanta “sérias preocupações” quanto à proteção dos agentes.
A responsável apelou ao Governo para reforçar o financiamento destinado à cibersegurança, permitindo implementar medidas mais robustas para proteger dados considerados altamente confidenciais.
Ciberataques estão a aumentar no Reino Unido
Segundo dados do Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido, citados pelo ABC, o número de ciberataques significativos aumentou de forma acentuada nos últimos anos.
Em 2022 foram registados 63 incidentes relevantes. Em 2025 esse número subiu para 204.
Os ataques classificados como de “alta prioridade” — aqueles que afetam diretamente o Governo ou uma parte significativa da população — passaram de apenas um caso em 2022 para 18 em 2025.
O novo ataque reforça os receios quanto ao aumento da sofisticação dos grupos de cibercrime e à vulnerabilidade de bases de dados que armazenam informação sensível de funcionários públicos.














