Historicamente, os bairros centrais das grandes cidades europeias sempre foram caros. Contudo, áreas anteriormente habitadas por famílias da classe trabalhadora foram gentrificadas, transformando-se em zonas para pessoas com altos rendimentos, inacessíveis para muitos dos antigos moradores.
Em Lisboa, por exemplo, o salário mínimo mensal é de 820 euros, enquanto o arrendamento de um estúdio de 25m² pode facilmente chegar a 700 a 800 euros por mês, com previsões de novos aumentos ao longo do ano, exemplifica o ‘The Conversation’.
Esta situação é agravada pelo aumento do arrendamento turístico e pelo crescente número de nómadas digitais – profissionais que trabalham remotamente e costumam ter salários superiores à média local. Estes fatores pressionam ainda mais o mercado imobiliário, elevando os preços e dificultando a permanência dos residentes tradicionais.
Entre 2010 e o segundo trimestre de 2023, os preços dos imóveis na União Europeia aumentaram significativamente: os preços de compra subiram 46% e as rendas 21%. O investimento estrangeiro tem um papel crucial neste cenário. Investidores internacionais, especialmente dos EUA e da Ásia, veem o mercado imobiliário europeu como um investimento seguro e lucrativo, particularmente em países politicamente estáveis e com economias robustas, como Portugal. Esta procura externa reduz a oferta disponível para os residentes locais, elevando os preços.
No entanto, os mercados de arrendamento, sendo mais regulamentados, têm enfrentado aumentos mais lentos nos preços. Apesar disso, algumas áreas têm visto aumentos exorbitantes. Em Valência, na Espanha, por exemplo, as rendas aumentaram 19,4% apenas no último ano. Em Portugal, cidades como Lisboa e Porto também enfrentam aumentos expressivos nos preços de arrendamento e compra.
A crise habitacional não pode ser atribuída a um único fator. Em muitos casos, a falta de novas habitações é um problema central. A “turistificação”, onde propriedades residenciais são transformadas em alojamentos turísticos, também contribui significativamente para o problema em áreas turísticas.
No contexto português, além da “turistificação”, o aumento dos custos de financiamento, como taxas hipotecárias e depósitos, representa um desafio adicional. Embora estas medidas visem controlar a inflação, têm um impacto direto na acessibilidade da habitação.














