Há uma guerra contra as férias pagas nos EUA. Quem ganha?

Nos Estados Unidos da América, um número crescente de empresas parecem interessadas na possibilidade de não pagar dias de férias aos seus funcionários. Segundo Geoffrey James, escritor e colaborador da Inc., existe mesmo uma guerra contra as férias pagas.

Num artigo de opinião, o responsável sublinha que esta possibilidade é contraproducente e que, na verdade – ao contrário do que as empresas pensam –, todos saem a perder. O fim das férias pagas poderá prejudicar a saúde dos trabalhadores, uma vez que poderão abdicar do descanso para não perder o dinheiro de que precisam para pagar as contas. Segundo um estudo divulgado pelo New York Times, as pessoas que não tiram férias apresentam uma possibilidade 21% mais elevada de risco de morte no geral e 32% mais elevada de morte por ataque cardíaco.

«Com os custos de saúde e seguros a crescerem exponencialmente, e com o custo de acolher novos colaboradores a aumentar a cada ano, os líderes e gestores devem tentar reter os seus funcionários e mantê-los saudáveis», escreve Geoffrey James. Perante um cenário como este, acrescenta, os empregadores não devem apenas fazer com que seja mais fácil para os trabalhadores tirarem férias, devem obrigá-los a tirar férias. Além disso, devem estruturar as equipas de maneira a que quem vá de férias não seja sobrecarregado com horas extra para compensar o tempo de descanso.

Contudo, não é isto que se verifica no mercado norte-americano. De acordo com o colaborador da Inc., são sete os sinais de que a guerra contra as férias pagas não está a levar o rumo certo: o lobying conseguiu bloquear o estabelecimento legal de férias pagas obrigatórias, o que significa que nos EUA cabe aos empregadores dar ou não dias de férias; as empresas estão a substituir a contratação de funcionários a tempo inteiro por empresas externas/outsourcing; as empresas utilizam as férias pagas para compensar outras despesas; os próprios funcionários pressionam os colegas para não tirarem férias uma vez que o trabalho extra cairá sobre as suas costas; as empresas esperam que os colaboradores de férias estejam sempre disponíveis; as empresas implementam políticas de “usar ou perder” os dias de férias; e as empresas oferecem a opção de férias ilimitadas sabendo que os colaboradores não vão aproveitar porque ficarão vistos como preguiçosos.

Artigos relacionados
Comentários
Loading...

Multipublicações

Marketeer
Guerra do streaming: consumidores dão oportunidade aos novos players
Automonitor
As ideias (brilhantes) da Skoda