O antigo embaixador português em Moscovo, Mário Godinho de Matos, alertou esta quinta-feira do “risco de uma faísca” num eventual conflito entre a Rússia e a Ucrânia. Em declarações à ‘Rádio Renascença’, concordou com a visão do secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, que admitiu o risco de “algo verdadeiramente desastroso” uma vez que o número de forças russas na fronteira com a Ucrânia está a aumentar.
O diplomata, no entanto, garantiu não estar num momento de rutura de via diplomática mas a situação é delicada. “Creio que ainda não chegámos a esse ponto de rutura. Tudo aquilo se passa junto às fronteiras da Ucrânia, não sabemos se o podemos classificar de intimidatório, mas a verdade é que exerce muita pressão sobre eventuais negociações”, explicou.
A Europa depende em 40% do gás russo e é importante encontrar alternativas que esvaziem a dependência, apontou Pedro Sampaio Nunes, antigo diretor da Comissão Europeia das Energias Convencionais, que, segundo revelou à ‘Renascença’, alertou que pode demorar pelo menos dois anos.
“A ideia parece-me plausível mas não responde, de imediato a esta crise. É preciso reforçar a capacidade de pipelines que existe. Já é significativa mas teria, pelo menos, de dobrar”, revelou. O especialista em energia convencional deixou contudo uma mensagem de otimismo, mostrando não acreditar que “a Rússia possa, alguma vez, sacrificar a sua principal fonte de receitas”.
“Assim como nós dependemos da Rússia para uma parte importante dos nossos abastecimentos de gás, a Rússia depende muito mais da Europa para poder vender o seu próprio gás”, considerou. “Seria suicídio para a Rússia pensar em prescindir dessa fonte de receitas, por via de uma crise militar ou política. Isso seria letal para a economia russa”, finalizou.









