Nas escolas russas os alunos estão a aprender um novo currículo que é uma ode ao patriotismo, e que destaca que a “Ucrânia nunca foi um país”. Os alunos estudam mapas que exibem a Ucrânia como uma parte da Rússia ancestral, revela o El Mundo.
Sonia, uma menina de 12 anos, foi surpreendida por um novo tema curricular durante uma aula de história há cerca de um mês, após ter começado a invasão russa da Ucrânia. A sua professora de história chamou a atenção para o que estava no quadro, e que definiu como uma “lição patriótica, a mais importante para apoiar o nosso país neste momento”.
“O nosso governo iniciou esta operação militar especial no leste da Ucrânia para nos proteger e também para proteger os pobres ucranianos, que estão ameaçados”, disse a professora, que depois prosseguiu falando da guerra na Crimeia e sobre Volodymyr Zelenski. De acordo com Sonia, a professora parecia zangada quando falava sobre o presidente ucraniano, e deu a entender aos alunos que era um “homem mau”.
A propaganda do Kremlin sobre o conflito na Ucrânia é generalizada, e é transversal a vários quadrantes da sociedade russa. A narrativa sobre a “operação militar especial” na Ucrânia é transmitida nos meios estatais, o governo de Putin insiste na ideia de “desnazificar” o país vizinho.
Mas acima de tudo, o Kremlin tenta fazer com que o povo russo não veja a Ucrânia como um país. E esse tipo de propaganda e exaltação patriótica chegou às escolas.
Putin tem feito essa insinuação histórica. Agora, os alunos estudam mapas que mostram a Ucrânia como uma pequena parte da Rússia ancestral, um país que não é real e que cresceu devido a transferências territoriais do Império Russo e da União Soviética.
Alguns pais insurgiram-se contra esta deturpação da história, mas em resposta os diretores das escolas afirmaram que são “obrigados a apoiar estas aulas”.
O ministro da Educação da Rússia, Sergei Kravtsov, não esconde a importância de conquistar os mais novos, incitar-lhes este patriotismo, e já assumiu que as escolas do país são a chave para “ganhar a guerra psicológica e de informação” contra o Ocidente.













