Há um ‘mapa do tesouro’ da Antártida que aponta os esconderijos de 300 mil meteoritos na paisagem gelada

Investigadores da Delft University of Tecnology, na Holanda, usaram inteligência artificial para identificar zonas onde podem ser encontrados com maior grau de probabilidade

Francisco Laranjeira

Há um ‘mapa do tesouro’ na Antártida, elaborado por um grupo de investigadores da Delft University of Tecnology, na Holanda, que contém os locais de queda de mais de 300 mil meteoritos na Antártida. Embora se saiba que os meteoritos caem um pouco por todo o mundo, o ambiente e os processos únicos na Antártida tornam um pouco mais fácil encontrar vestígios na paisagem intocada e cheia de neve.

Através de processos de inteligência artificial, os investigadores criaram um tipo de ‘mapa do tesouro’ para identificar as zonas onde os meteoritos podem ser encontrados com maior grau de probabilidade. “Através das nossas análises, aprendemos que observações de satélite de temperatura, taxa de fluxo de gelo, cobertura de superfície e geometria são bons preditores da localização de áreas ricas em meteoritos”, explicou Veronica Tollenaar, autora principal do estudo publicado recentemente na revista científica ‘Science Advances’. “Esperamos que o ‘mapa do tesouro’ seja 80% preciso”, reforçou.

De acordo com o estudo, são estimados mais de 300 mil meteoritos na Antártida, à espera de serem encontrados, o que representa um enorme potencial científico. “Encontrámos várias áreas ricas em meteoritos nunca visitadas que são relativamente próximas às estações de pesquisa”, apontou Stef Lhermitte, que esteve envolvido no estudo.

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Rochas caídas do espaço estão a acumular-se na Antártida há milénios, preservadas pelo clima frio e desértico do continente. Os meteoritos caem e ficam embutidos nas camadas de gelo no interior do continente. À medida que os glaciares fluem lentamente, os meteoritos são carregados com eles. Se um glaciar se depara com um grande obstáculo, em pontos como as Montanhas Transantárticas, o gelo sobe mas os meteoritos são trazidos para a superfície. Além disso, os ventos secos da Antártida gradualmente erodem o gelo, expondo os meteoritos. À medida que mais gelo sobe à superfície, o processo repete-se. Com tempo suficiente, um número significativo de meteoritos acumula-se.

Os meteoritos são pequenos demais para serem detetados individualmente do espaço, mas com medições indiretas de satélite, como temperatura, velocidade do fluxo de gelo, inclinação da superfície e a maneira como o gelo reflete os sinais de radar, os investigadores, após combinarem os dados, garantiram poder prever onde os meteoritos se concentram na superfície.

“A Antártica é muito remota e muitas áreas nunca foram visitadas”, disse Tollenaar em comunicado. “Além disso, os relatórios sobre o sucesso de missões anteriores de recuperação de meteoritos são muitas vezes ambíguos e pouco detalhados, o que leva à falta de rótulos de boa qualidade.”

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Se quiser consultar o ‘mapa do tesouro’, pode clicar aqui.

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