O programa ‘Dispensa em Proximidade’ deveria estar em funcionamento desde janeiro último, mas está atrasado: segundo o ‘Jornal de Notícias’, desde novembro que houve 59 dispensas para 46 doentes, quando o regime deveria beneficiar 150 mil pessoas – que poderiam levantar a medicação hospitalar na farmácia comunitária ou num centro de saúde perto de casa. De acordo com o Ministério da Saúde, o atraso deve-se a problemas de compatibilidade dos sistemas informáticos, mas previu que em maio já haja dois hospitais a concluir a fase piloto.
“Não há desculpa, a não ser o não querer fazer. Tem de haver pressão para o cumprimento da lei”, acusou Jaime Melancia, presidente da Plataforma Saúde em Diálogo, que representa 78 associações de doentes, recordando que há dezenas de doentes que fazem centenas de quilómetros todos os meses para levantarem os medicamentos no hospital. “Isto tem impacto real na vida das pessoas, perdem-se dias de trabalho, há custos com as deslocações.”
O ministério liderado por Ana Paula Martins frisou que “esta fase piloto revelou, no terreno, fortes constrangimentos no que diz respeito à integração dos diferentes sistemas de software informáticos, que têm de comunicar entre si, dificultando assim o avanço deste projeto”, acrescentando que “a equipa de acompanhamento do projeto teve de despender mais tempo do que o expectável, bem como proceder à disponibilização de mais recursos humanos, por parte de todos os parceiros envolvidos no projeto, nomeadamente informáticos de software de fornecedores externos”. No entanto, apontou, “até maio as fases piloto do Hospital de São João e do Hospital de Santo António estejam concluídas”.
No entanto, a Associação Nacional de Farmácias garantiu que está tudo testado e em funcionamento, como provam as 46 dispensas já efetuadas: há quase 2.300 farmácias inscritas para o serviço e só falta as unidades locais de saúde (ULS) sinalizarem os doentes em condições de beneficiar do programa.














