Há precisamente dois anos a China anunciou a primeira morte por uma “pneumonia atípica” (mais tarde denominada de Covid-19)

O registo da primeira morte aconteceu três dias depois do anúncio do governo de chinês de que tinha sido identificado um novo vírus misterioso, responsável por infetar dezenas de pessoas na província de Wuhan, causando uma doença semelhante à pneumonia. 

Simone Silva

Faz hoje precisamente dois anos que a 11 de janeiro de 2020, a China reportou a primeira morte por aquilo que considerou na altura uma “pneumonia atípica” e mais tarde veio a classificar-se de pandemia de Covid-19.

O registo da primeira morte aconteceu três dias depois do anúncio do governo de chinês de que tinha sido identificado um novo vírus misterioso, responsável por infetar dezenas de pessoas na província de Wuhan, causando uma doença semelhante à pneumonia.

“Não há evidências de que o novo vírus seja facilmente disseminado por humanos, o que o tornaria particularmente perigoso”, escreveu o New York Times a 8 de janeiro de 2020. “Mas as autoridades de saúde na China e em outros locais estão observando cuidadosamente para garantir que o surto não se transforma em algo mais grave”, acrescentou.

Só dois meses depois, a 2 de março de 2020 foram confirmados os primeiros casos da doença em Portugal: um médico de 60 anos, um médico que esteve no norte de Itália de férias e apresentou sintomas no dia 29 de fevereiro; e um homem de 33 anos que esteve em Espanha em trabalho e apresentou os primeiros sintomas no dia 26 de fevereiro.

Mais de dois anos depois da pandemia ter começado no mundo, a principal lição aprendida “é de que não estamos no comando. O vírus é que está”, disse André Veillette, diretor do departamento de oncologia molecular do Montreal Clinical Research Institute, no Canadá, a um jornal local.

Continue a ler após a publicidade

“E o vírus não tem cérebro. Quer apenas tentar sobreviver e propagar-se. Não podemos convencê-lo a fazer outra coisa senão isso”, afirmou sublinhando que aprendemos muito sobre a doença nos últimos dois anos, sobre como se espalha e como nos proteger, mas também sobre nós mesmos.

Mais recentemente, segundo o especialista, “o rápido ataque da Ómicron, que nos atingiu exatamente quando pensávamos que estávamos fora de perigo, ensinou-nos que temos de começar a vacinar o mundo inteiro, e não apenas a nós mesmos, se quisermos libertar-nos do ciclo sem fim de ondas ressurgentes”.

Se perguntarem a um cientista o que o que se aprendeu com a Covid-19, é invariavelmente evocado o desencadeamento de estudos científicos e conhecimento que surgiu quando a pandemia se iniciou, começando com a divulgação dos dados de sequenciamento genético do vírus na China, também a 11 de janeiro, que permitiu que investigadores de todo o mundo criassem testes e desenvolvessem vacinas.

Continue a ler após a publicidade

A partilha mundial de dados foi sem precedentes. Relatórios publicados na revista científica Nature descobriram que até 200 mil artigos e estudos relacionados com a Covid-19 foram publicados em dezembro de 2020.

“Aprendemos como a ciência pode funcionar rapidamente quando há um esforço global coordenado para resolver um problema”, disse Veillette. O vírus foi rapidamente identificado, os cientistas descobriram como ele entra nas células e infeta as pessoas, vacinas altamente eficazes e medicamentos antivirais foram produzidos em dois anos. “Obviamente, salvámos muitas vidas com essas medidas”, conclui.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.