Há níveis “alarmantes” de microplásticos nos principais rios europeus, denuncia estudo

“A poluição está presente em todos os rios europeus examinados”, denunciou Jean-François Ghiglione, diretor de pesquisa em ecotoxicologia microbiana marinha no Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS), que analisou nove rios no Velho Continente

Francisco Laranjeira
Abril 7, 2025
11:51

Há microplásticos a propagar-se pelos principais rios da Europa, denunciou esta segunda-feira 14 estudos publicados na revista “Environmental Science and Pollution Research”. “A poluição está presente em todos os rios europeus examinados”, denunciou Jean-François Ghiglione, diretor de pesquisa em ecotoxicologia microbiana marinha no Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS), que analisou nove rios no Velho Continente.

Foram recolhidas e analisadas amostras foram na foz dos rios Elba, Ebro, Garonne, Loire, Ródano, Reno, Sena, Tâmisa e Tibre. O nível “alarmante” de poluição observado foi, em média, de “três microplásticos por metro cúbico de água” nos nove rios examinados, alertaram os cientistas. No entanto, o resultado está longe dos 40 microplásticos por metro cúbico registados nos 10 rios mais poluídos do mundo (Rio Amarelo, Yangtze, Mekong, Ganges, Nilo, Níger, Indo, Amur, Rio das Pérolas e Rio Hai).



“Em Valence, no (rio francês) Rhone, há um fluxo de 1.000 metros cúbicos por segundo, o que significa que há 3.000 partículas de plástico a cada segundo”, apontou Ghiglione: já o Sena (Paris) contém quase 900 por segundo. Os investigadores ficaram “surpreendidos” ao descobrir que “a massa de microplásticos invisíveis a olho nu é mais significativa que a dos visíveis”, frisou. “Os microplásticos grandes flutuam e são recolhidos na superfície, enquanto os invisíveis são distribuídos através da coluna de água e são ingeridos por muitos animais e organismos.”

Os estudos apontaram que 25% dos microplásticos descobertos nos rios não procedem de resíduos, mas sim de grânulos de plásticos industriais. “O que vemos é que a contaminação é difusa e estabelecida. E procede de todos os lugares nos rios”, salientou Ghiglione. “A comunidade científica internacional da qual fazemos parte (dentro das negociações internacionais da ONU para reduzir a contaminação de plástico) exige uma redução significativa na produção de plástico primário, porque sabemos que a produção de plástico está diretamente ligada à poluição”, concluiu.

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