Perante a inflação e o aumento do custo de vida, há mais de 26 mil famílias nas áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto (AML e AMP) que não conseguiam pagar casa devido à subida das rendas e aos despejos associados, e que por isso veem-se obrigadas a recorrer às câmaras municipais para se candidatarem a uma habitação social.
No entanto, a espera para estas famílias pode ser de vários anos já que, segundo o Expresso, só há 700 vagas disponíveis, ou seja, apenas o suficiente para responder a 2,5% do total de pedidos de ajuda que chegam às autarquias.
São 26.312 os agregados familiares que esperam por vaga em habitação social, sendo que Lisboa concentra a maior parte, de quase 19 mil famílias, enquanto do Porto são cerca de 7400. Quase 16 mil pedidos (60%) deram entrada ou foram renovados no ano passado, revelam os números.
Para garantir resposta a todos, teria que se aumentar em mais de um terço o número de imóveis municipais nas duas áreas Metropolitanas, que são mais de 73 mil. Mais 5.509 casas municipais desocupadas estão identificadas, mas precisam de obras.
No ano passado, só 3,4% das candidaturas (913 famílias) conseguiram direito à habitação social. A manter-se este ritmo, e se não houvessem mais inscrições, seriam precisos 29 anos para pôr fim à espera de todas as famílias que aguardam por habitação social.
Os casos não são só nos concelhos com mais população, porque com a fuga de muitos para regiões limítrofes de Lisboa, à procura de rendas mais acessíveis e influenciados pela especulação imobiliária, localidades como Alcochete, Mafra, Palmela ou Sesimbra, ou Arouca, Paredes e Oliveira de Azeméis, que nunca tiveram pedidos que motivassem aquisição ou construção de habitação social, veem-se agora com uma avalanche de pedidos.






