Há morcegos nas regiões fronteiriças do sul e sudoeste da China que abrigam outros coronavírus e que já têm a capacidade de passar para o homem, alertou uma cientista chinesa, Shi Zhengli, do Instituto Wuhan de Virologia.
De acordo com a especialista, parentes próximos do SARS-CoV-2 (responsável pela doença covid-19) circulam na natureza e “não devemos procurá-los apenas na China, mas também em países do sul da Ásia”, disse a cientista que estuda os coronavírus dos morcegos.
A afirmação foi feita durante uma palestra online organizada pelas academias médicas e veterinárias francesas. Atualmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e revista médica The Lancet estão a investigar as origens da pandemia, um ano após o início oficial do surto.
Recentemente, um grupo de investigadores chineses defendeu que o novo coronavírus poderá ter surgido não no seu país mas na Índia, ou ainda numa lista de sete outros países. A equipa de cientistas argumenta que uma das hipóteses é o vírus ter surgido no verão de 2019, numa vaga de calor na Índia, país vizinho.
Não é a primeira vez que as autoridades chinesas ‘apontam o dedo’ a outro país. No entanto, a virologista não estava a sugerir que a China fosse eliminada das investigações, apenas alertou que as investigações deveriam ser feitas também noutros países.
Pensa-se que o ‘reservatório natural’ do SARS-CoV-2 sejam os morcegos e embora Shi Zhengli tenha dito que o vírus foi muito provavelmente transmitido a outro animal antes de chegar aos humanos, esse animal (o hospedeiro intermediário) ainda tem de ser identificado.
Também não é claro por quanto tempo o vírus poderá ter circulado nesse animal ou em humanos antes de ser detetado no final do ano passado. A virologista disse que poderia ter estado noutro animal “por muito tempo”.
A OMS ainda está à procura da fonte da covid-19 na China, mas considera “altamente especulativo” dizer que o novo coronavírus não teve a sua origem no país.













