Há cerca de 30 mil alunos sem aulas só nas escolas públicas, diz Fenprof

Federação Nacional dos Professores (Fenprof) adianta esta quinta-feira que cerca de 30 mil alunos estão sem aulas a pelo menos uma disciplina, sendo afetados pela falta de docentes, que não está relacionada com a pandemia de coronavírus. 

Simone Silva

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) adianta esta quinta-feira que cerca de 30 mil alunos estão sem aulas a pelo menos uma disciplina nas escolas públicas, sendo afetados pela falta de docentes, que não está relacionada com a pandemia de coronavírus.

“Sem ter em conta as situações de isolamento por Covid-19, que o Ministério da Educação continua a ocultar, e o que se passa nos colégios privados, onde o problema é escondido, ontem, 26 de janeiro de 2022, o número de horas em concurso de contratação de escola era de 5802, sendo necessário recuar a meados de outubro para encontrarmos número mais elevado”, refere em comunicado.

Segundo o organismo, “estas 5802 horas distribuem-se por um total de 469 horários a concurso, estimando a Fenprof que sejam afetados pela falta de professores cerca de 30.000 alunos, se considerarmos que, em média, cada 4 horas a concurso correspondem a uma turma sem professor e que estas, também em média, têm apenas 20 alunos”.

“Estas contas não incluem, como atrás se refere, os casos de isolamento devido à Covid-19, pois sendo este de 7 dias, dos quais só 5 são úteis, as escolas têm de encontrar, internamente, forma de garantir a substituição por serem ausências de curta duração”, ressalva o organismo.

Para além disso, “também não incluem o que se passa nos colégios privados, pois, neles, a falta de professores (que também já não é pontual, tendo-se agravado nos últimos anos) é um problema que, em muitos, já atinge níveis superiores ao das escolas públicas”, aponta.

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“Em relação à falta de professores, os colégios e a sua associação representativa ocultam os números e procuram, muitas vezes de forma que roça a ilegalidade, disfarçar o problema”, afirma a federação defendendo que “caberia à Inspeção (IGEC) verificar como está a ser “resolvido” o problema”.

Voltando às escolas públicas, o organismo sublinha que “a falta de professores nas escolas, que se agrava, neste final de janeiro, com um grande aumento do número de horários a concurso, era esperada e para ela contribuem diversos fatores”, nomeadamente  o envelhecimento dos docentes e os “níveis elevados” de exaustão.

“A resolução deste problema não passa por substituir docentes por robôs, mas por restituir atratividade a uma profissão que, na última década e meia, tem vindo a ser alvo de políticas que a têm desvalorizado e de campanhas levadas a efeito pelo poder político para que tal desvalorização também tenha lugar no plano social”, aponta.

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Segundo a Fenprof, “se, num futuro próximo, nada for feito, o problema agravar-se-á ainda mais, dado o elevado número de docentes que se aposentarão até final da década”, indica sublinhando que vai ser entregue no Parlamento “uma Petição, que já ultrapassou largamente as assinaturas necessárias, em que se exigem medidas que revalorizem a profissão docente”.

“Ao futuro governo, em particular, à nova equipa ministerial, será entregue um abaixo-assinado com as mesmas exigências, mas, também, propostas concretas, com as quais se pretende iniciar processos negociais de que resultem soluções, processos esses que o atual ministro, há anos, bloqueou, levando ao agravamento de todos os problemas”, conclui.

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