São diversos os setores de atividade que são maioritariamente associados ao sexo masculino, mas onde mulheres têm vindo a crescer e a assumir com mais frequência posições de liderança. A Executive Digest falou com Suzana Curic, Head of Enterprise na AWS Iberia, para conhecer a realidade das carreiras científicas e tecnológicas.
Suzana tem herança croata e escolheu a área tecnológica no secundário. Optou por enveredar em engenharia industrial na universidade, “uma aposta segura, uma vez que abrange muitas disciplinas. Assim, poderia trabalhar em muitos setores e, mais tarde, especializar-me no que mais me interessasse, como mecânica, logística, produção, construção, ambiente ou eletrónica”.
Depois de mais de 20 anos na indústria tecnológica, hoje lidera uma equipa na Amazon Web Services (AWS), que ajuda as grandes empresas a inovar mais rapidamente e a crescer graças à cloud.
“Acredito que os desafios começam muito antes de entrar no mercado de trabalho e influenciam as decisões que as mulheres tomam no futuro. Penso que uma grande parte tem a ver com os estereótipos que se foram criando em torno de rapazes e raparigas: o que jogam, como se vestem, os estudos que escolhem”, diz Suzana Curic.
A executiva acredita que outro fator que influencia é o facto de os estudantes não terem muitas referências femininas no mundo STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) que os inspirarem, algo que está a mudar.
“Há cada vez mais mulheres em carreiras científicas e tecnológicas, assim como em cargos de gestão. É necessário continuar a trabalhar neste sentido, motivar os jovens estudantes a participar no sector STEM e a desenvolver uma carreira profissional no setor tecnológico, para que no futuro tenham acesso a cargos de liderança”, sublinha,
De acordo com Suzana Curic, são necessárias três premissas para progredir: crermos em nós próprios; não ter medo de expressar a opinião ou de gerir a carreira profissional e, por último, mas não menos importante, encontrar um ambiente profissional em que possamos dar o melhor de nós próprios.
“Gostaria de dizer às mulheres que elas podem alcançar qualquer desafio que coloquem a si próprias e que com curiosidade, esforço e dedicação, não há limites. As mulheres precisam de confiar que podem lidar com tudo e muito mais”.
Qual o papel das empresas?
“As empresas devem pensar na diversidade como um processo de melhoria contínua e não como um objetivo final. A melhor forma de promover uma cultura de igualdade nas organizações é através de um plano de iniciativas e formação contínua. A promoção da diversidade e da inclusão deve ocorrer não só em todos os departamentos como na própria cultura da empresa. E para que isto aconteça, em primeiro lugar, é fundamental que a equipa de gestão esteja alinhada e verdadeiramente empenhada na diversidade e na inclusão. A partir daí, devem estabelecer um plano, priorizar atividades que promovam uma cultura inclusiva e encorajar o resto da equipa a trabalhar no mesmo sentido”.
A executiva sublinha ainda a importância de realização de sessões de formação internas, para que os colaboradores compreendam a sua importância e possam sentir-se parte da mudança cultural. “Por exemplo, temos 13 grupos de interesse e partilha na Amazon e AWS, dos quais fazem parte mais de 90 000 funcionários, em centenas de locais de todo o mundo, que falam sobre experiências e vivências, com especial foco na diversidade”.
Vingar numa área que é tradicionalmente associada a homens
Suzana trabalhou toda a vida em ambientes técnicos e tecnológicos, onde passou por empresas que fomentam a diversidade, a multiculturalidade e diferentes perspetivas.
“As raparigas têm agora uma grande variedade de exemplos de mulheres de sucesso em diferentes áreas. Pessoalmente, sinto-me orgulhosa por poder partilhar as minhas experiências com mulheres mais jovens, para que elas percebam que com esforço e ambição tudo é possível”.
A executiva faz por isso parte da ‘AWS GetIT’, um programa educativo concebido para inspirar estudantes dos 12 aos 14 anos, especialmente raparigas, para que considerem um futuro nas STEM.
“Acredito que cada mulher tem os seus próprios superpoderes. No meu caso, diria que gosto de liderar a partir da empatia, tenho espírito de equipa e promovo a heterogeneidade e diversidade nas equipas. Considero que, de uma forma geral, as mulheres são resilientes e adaptam-se rapidamente a cenários de mudança”.
Olhar para o futuro
“Este momento é vital. A visibilidade e a representação que as mulheres estão a alcançar nas empresas nos últimos anos é inegável, e tem um impacto direto sobre as escolhas que as jovens fazem nos seus estudos e profissões”, sublinha Suzana Curic, acrescentando que as empresas também estão cada vez mais conscientes da necessidade de igualdade, diversidade e inclusão.
“No entanto, há ainda um longo caminho a percorrer. As companhias já perceberam que ter uma equipa diversificada – no que diz respeito ao género, etnia, idade, origem, orientação sexual, cultura, educação, entre outras – dá-lhes uma melhor compreensão das necessidades dos clientes e é a chave para desbloquear ideias e acelerar a inovação”.
A executiva sublinha a importância de uma contínua promoção desta dinâmica e a criação de uma cultura empresarial empenhada na diversidade e baseada na inclusão. “Precisamos de ter a certeza de que todas as vozes são ouvidas”.














