O vício dos jogos online é cada vez mais frequente em crianças e jovens, num reflexo das alterações que estão a acontecer na própria sociedade, agravadas pela pandemia de Covid-19.
Segundo o ‘Diário de Notícias’ (DN), o último relatório do Serviço de Intervenção Nos Comportamentos e nas Dependências, elaborado para o Plano Nacional para a Redução dos Comportamentos Aditivos e Dependências 2021-2030, em dezembro passado, mostra uma tendência crescente de comportamentos aditivos no uso de jogos online, pelos mais jovens.
Seis em cada dez adolescentes jogam jogos eletrónicos em dia de escola e sete em cada dez jogam em dias que não são de aulas, adianta o jornal, citando uma parte do documento, que revela que os jogos online “têm vindo cada vez mais a ganhar terreno ao longo dos anos como atividade de lazer, desde que estão disponíveis as plataformas que permitem jogar com pessoas do mundo inteiro em simultâneo”.
A maioria dos jovens diz usar a Internet por diversão, o que inclui frequentar as redes sociais, jogar, falar em chats, ou ouvir música. “Conversar com os amigos online é uma atividade bastante mais comum entre os 13 e os 17 anos do que entre os 9 e os 12 anos e ligeiramente mais comum nas raparigas, quando considerado o grupo etário mais avançado”, lê-se no relatório citado pelo ‘DN’.
A par disso, segundo o mesmo documento, “entre os 9 e os 17 anos as atividades realizadas mais frequentemente (uso diário) na Internet são ouvir música (80%), ver vídeos (78%), comunicar com familiares e amigos (75%), ir a uma rede social (73%)”.
Importa ainda referir que aos 18 anos, cerca de um quarto dos jovens participantes no Dia da Defesa Nacional diz ter tido problemas associados ao uso da Internet nos 12 meses anteriores. “Esta experiência de problemas aumentou entre 2017 (23%) e 2019 (27%), sobretudo entre as raparigas”, revela o relatório.
O estudo EU Kids Online, realizado em 2018, concluiu que cerca de 18% dos rapazes e 27% das raparigas (9-17 anos) reportaram experiências negativas na Internet no último ano. “Estas prevalências variam pouco em função do grupo etário e, quanto a tendências, têm vindo a aumentar desde 2010, entre os jovens utilizadores”, lê-se.
Aumentam pedidos de ajuda a serviços de pedopsiquiatria e psicologia
Os pedidos de ajuda aos serviços de pedopsiquiatria e psicologia não param de aumentar e o Centro Hospitalar de Leria é exemplo disso. “O que nós sentimos é que se já há uma tendência para estes adolescentes se isolarem, com a pandemia e os confinamentos veio agravar-se. Como é que comunicam? Através das redes sociais. O que fazem? É tudo online”, refere Sónia Leirião, membro da equipa, ao ‘DN’.
Segundo a responsável, à equipa de pedopsiquiatria do Centro Hospitalar de Leiria têm chegado cada vez mais pedidos, à semelhança do que acontece por todo o país. “As pedopsiquiatras notam que há muitos pedidos. Eu tenho sempre a agenda cheia”, refere a responsável.
“As crianças e adolescentes que tinham atividades que pararam com o covid não retomaram. De manhã à noite passo a vida a alertar os pais”, sublinha. “Isto está a ser muito impactante ao nível da socialização, do contacto olhos nos olhos, o saber estar em sociedade, o saber ler o outro”, acrescenta.



