Há 20 cabos submarinos vitais que passam por Portugal: o que aconteceria se fossem sabotados?

Em todo o mundo, são mais de 600 os cabos submarinos de fibra ótica: têm a espessura de uma simples mangueira, mas responsáveis pela transmissão de informações essenciais entre países. Em Portugal, estão 20, amarrados em Carcavelos, no Seixal e em Sesimbra

Francisco Laranjeira

Em todo o mundo, são mais de 600 os cabos submarinos de fibra ótica: têm a espessura de uma simples mangueira, mas responsáveis pela transmissão de informações essenciais entre países. Em Portugal, estão 20, amarrados em Carcavelos, no Seixal e em Sesimbra.

São responsáveis pelas ligações à internet, mas também para transportar informação: são “uma infraestrutura crítica fundamental ao funcionamento do mundo”, destacou Manuel Cabugueira, administrador da ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações), em declarações ao ‘Jornal de Notícias’. Têm “um potencial enorme, não só em termos de defesa, mas noutras perspetivas também”, frisou, lembrando que estes cabos são responsáveis por 97% da internet em Portugal.

O maior cabo na costa nacional é o 2Africa, com 45 mil quilómetros de comprimento e que liga Portugal a 33 países – cada um redistribui o sinal para outros. É assim que o país se mantém conectado com o mundo, recebe informações e rede, essenciais para o funcionamento regular dos serviços básicos, como hospitais ou comércio.

“Temos uma histórica deficiência marítima e aérea em controlar tudo o que se passa”, salientou Sandra Fernandes, especialista em Relações Internacionais, o que é preocupantes, uma vez que Portugal “é o país da UE com maior área em Zona Económica Exclusiva”.

Os casos de sabotagem de cabos submarinos no norte da Europa – assim como gasodutos – têm-se acumulado, o que, para João Alvelos, tenente-coronel do Observatório de Segurança, num cenário de ataque em larga escala os impactos seriam “terríveis”. Os navios fora da NATO “boicotam os cabos com âncoras, muitas vezes não visíveis, a fazer uma viagem na rota dos cabos até que haja um cabo que se entrelace nessa âncora. Aconteceu agora na Finlândia. Por isso é que é importante monitorizar todos os movimentos”, recomendou o especialista. “Romper um cabo destes é parar a troca de informação durante seis meses, com um bocado de sorte. São seis meses a um ano. E tenho dúvidas que exista um submarino capaz de os reparar”, concluiu.

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