Arranca esta quinta-feira, a época especial dos exames nacionais, criada pelo Ministério da Educação na sequência dos problemas registados este ano no processo de classificação das provas. A nova oportunidade, que se prolonga até 8 de setembro, abrange todos os alunos que estavam elegíveis para realizar exames na 2.ª fase de 2026, independentemente de terem ou não comparecido às provas realizadas em julho.
A decisão surge depois de um processo marcado por falhas técnicas na classificação eletrónica dos exames nacionais, que impediram alguns estudantes de conhecerem atempadamente as suas notas definitivas. O problema acabou por levar o Governo a criar uma época extraordinária para garantir que os alunos não fossem prejudicados por circunstâncias que não lhes eram imputáveis, numa altura em que estava em causa não só a conclusão do ensino secundário, mas também o acesso ao ensino superior.
O Ministério da Educação, Ciência e Inovação esclareceu que o exame realizado nesta época especial será considerado, para todos os efeitos, como correspondente à 2.ª fase. Assim, os estudantes que tenham realizado uma prova na 2.ª fase de julho e decidam repetir o exame agora, em setembro, não ficam sujeitos a perder a classificação mais favorável: “No caso de o aluno também ter realizado exame na 2.ª fase, é considerada a melhor classificação obtida entre os resultados das duas provas”, explicou a tutela.
As inscrições para esta época decorreram entre 27 e 31 de julho e as provas começam hoje, 3 de setembro. O calendário estende-se por quatro dias — 3, 4, 7 e 8 de setembro — e inclui exames finais nacionais do ensino secundário, bem como provas finais do ensino básico para os alunos do 9.º ano.
Português abre hoje a época especial dos exames
O primeiro dia da época especial é dedicado a um conjunto alargado de disciplinas. No ensino secundário, às 9h30, realizam-se as provas de Português (639), Português Língua Segunda (138) e Português Língua Não Materna (PLNM – 839), para alunos do 12.º ano. À mesma hora, os estudantes do 11.º ano realizam Literatura Portuguesa (734).
Durante a tarde, a partir das 14h00, estão marcados os exames de Economia A (712), História da Cultura e das Artes (724) e Latim (732), todos correspondentes ao 11.º ano.
Também hoje, 3 de setembro, começa a época especial para os alunos do 9.º ano. Às 9h30 realiza-se a prova final de Português (91), bem como as provas de Português Língua Segunda (95) e Português Língua Não Materna (PLNM – 93 e 94).
Na sexta-feira, 4 de setembro, será a vez de História A (623), para o 12.º ano, e de Biologia e Geologia (702) e História B (723), para o 11.º ano, todas às 9h30. A essa hora realiza-se também a prova de Geometria Descritiva A (708), enquanto durante a tarde, às 14h00, estão marcadas as provas de Alemão (501), Espanhol (547 e 847), Francês (517), Italiano (849) e Mandarim (848).
A época especial será retomada na segunda-feira, 7 de setembro, com Matemática A (635), para o 12.º ano, e Matemática B (735) e Matemática Aplicada às Ciências Sociais (835), para o 11.º ano, todas às 9h30. Às 14h00 realiza-se a prova de Filosofia (714).
Para os alunos do 9.º ano, 7 de setembro será o segundo e último dia da época especial das provas finais do ensino básico, com a realização do exame de Matemática (92), às 9h30.
O encerramento da época especial do ensino secundário acontece na terça-feira, 8 de setembro. Às 9h30 realizam-se as provas de Desenho A (706), para o 12.º ano, e Física e Química A (715) e Geografia A (719), para o 11.º ano. Às 14h00 terá lugar o exame de Inglês (550).
Além destas provas escritas, o período de aplicação da componente de produção e interação orais das Línguas Estrangeiras e de PLNM decorre entre 2 e 8 de setembro de 2026. As pautas dos exames nacionais do ensino secundário serão afixadas a 16 de setembro, enquanto as pautas das provas finais do ensino básico serão publicadas a 9 de setembro.
Época especial foi criada após falhas na classificação eletrónica
A criação desta nova oportunidade está diretamente relacionada com os problemas que afetaram a avaliação dos exames nacionais deste ano. Pela primeira vez, cerca de 300 mil exames nacionais do ensino secundário foram avaliados em formato digital, mas o processo foi marcado por várias falhas técnicas.
As pautas com os resultados começaram a ser afixadas apenas na sexta-feira à noite, depois de sucessivos atrasos, e alguns alunos depararam-se com classificações em falta ou incorretas. Os problemas foram identificados pelo Júri Nacional de Exames, que detetou falhas no processo de parametrização utilizado na classificação.
O Ministério da Educação manteve inicialmente os calendários previstos para a primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, cujo prazo terminava a 6 de agosto, e para a segunda fase dos exames. Perante as dificuldades sentidas pelos estudantes, acabaria por ser criada a época especial de setembro.
A tutela liderada por Fernando Alexandre justificou a medida com o impacto que os problemas técnicos poderiam ter tido nas decisões dos alunos. “As dificuldades técnicas verificadas na classificação eletrónica impediram alguns alunos de conhecer as suas classificações definitivas atempadamente”, reconheceu o Ministério, acrescentando que essa circunstância poderia ter condicionado “a decisão de inscrição e de realização dos exames na 2.ª fase, bem como a adequada preparação dos alunos”.
O objetivo declarado foi, por isso, evitar que estudantes fossem prejudicados por problemas que não provocaram. “A decisão de criar uma época extraordinária visa assegurar que nenhum aluno é prejudicado por circunstâncias que não lhe são imputáveis”, afirmou a tutela.
O Ministério garantiu ainda que a solução pretende preservar a igualdade entre os estudantes e a confiança no processo de avaliação, insistindo que estão asseguradas “toda a transparência e rigor do processo de avaliação das aprendizagens dos alunos e as condições de equidade na conclusão do ensino secundário e no acesso ao ensino superior”.
Alunos que repetirem a prova ficam com a melhor classificação
Uma das principais regras da época especial prende-se precisamente com a possibilidade de repetir exames já realizados na 2.ª fase. Os alunos que estavam abrangidos pelas condições de acesso à segunda fase podem realizar agora a prova, mesmo que tenham optado por não a fazer em julho.
Nos casos em que um estudante já tenha realizado o exame na 2.ª fase e volte a realizá-lo em setembro, será considerada a melhor das duas classificações. Desta forma, a participação na época especial não representa o risco de substituir uma nota superior por uma classificação inferior.
A medida foi definida para abranger todos os alunos que reuniam condições para realizar provas na 2.ª fase de 2026, independentemente de terem efetivamente comparecido aos exames de julho.
Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior mantém calendário
Apesar da criação da época especial, o calendário da segunda fase de candidaturas ao ensino superior mantém-se. As candidaturas à segunda fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior decorrem entre 24 de agosto e 22 de setembro.
Os resultados desta segunda fase serão publicados a 30 de setembro, segundo o Ministério da Educação.
A calendarização significa que a época especial de exames decorre em paralelo com o processo de acesso ao ensino superior, com as classificações dos exames a serem posteriormente consideradas no percurso de candidatura dos estudantes abrangidos.
Época especial também inclui alunos do 9.º ano
A solução criada pelo Governo não se limita aos estudantes do ensino secundário. Os alunos do 9.º ano também foram incluídos na época especial, realizando hoje a prova de Português e, na próxima segunda-feira, 7 de setembro, o exame de Matemática.
O calendário das provas finais do ensino básico prevê a realização de Português, Português Língua Segunda e Português Língua Não Materna esta quinta-feira, às 9h30. Quatro dias depois, também às 9h30, os alunos realizam Matemática.
As pautas das provas finais do ensino básico serão afixadas a 9 de setembro.
A realização desta época especial acontece, assim, numa altura particularmente apertada do calendário escolar, uma vez que as escolas se preparam simultaneamente para o arranque do novo ano letivo.
Professores do 3.º ciclo ficam dispensados de corrigir exames da época especial
Para evitar que a realização dos exames de setembro comprometa o arranque das aulas, o Governo decidiu manter o calendário previsto para todo o ensino básico e dispensar da classificação dos exames da época especial os professores do 3.º ciclo que também tenham habilitação para lecionar no ensino secundário.
Numa carta enviada aos diretores escolares, o Ministério da Educação confirmou que as aulas de todos os níveis do ensino básico começam entre 11 e 15 de setembro, mantendo-se o calendário inicialmente previsto.
Ao mesmo tempo, os professores com turmas do 3.º ciclo que estejam também habilitados a dar aulas no ensino secundário ficam dispensados de classificar os exames nacionais dos 11.º e 12.º anos realizados durante a época especial.
“Desta forma, estes professores poderão dedicar-se integralmente ao início do ano letivo nas respetivas escolas”, lê-se na carta assinada pelo ministro da Educação, Fernando Alexandre.
A decisão procura conciliar a necessidade de assegurar a realização dos exames extraordinários com a preparação do novo ano letivo, evitando que os docentes envolvidos na organização das escolas tenham de acumular a classificação das provas com as tarefas associadas ao regresso às aulas.
Calendário do ensino secundário foi alterado devido aos problemas nos exames
A situação teve também consequências no calendário de início das aulas do ensino secundário. Enquanto o calendário do ensino básico foi mantido, o arranque das aulas do ensino secundário foi adiado para 21 de setembro devido aos problemas relacionados com os exames.
A alteração foi confirmada pelo ministro da Educação, depois de o processo de avaliação dos exames nacionais ter sido afetado pelas falhas técnicas.
No caso do 3.º ciclo, o Governo acabou por optar por manter o calendário original, estabelecendo o início das aulas entre 11 e 15 de setembro e procurando resolver a sobreposição com os exames através da dispensa dos professores abrangidos da respetiva classificação.
Mais de 18 mil classificações foram alteradas após os erros de parametrização
Os problemas na classificação dos exames também motivaram uma atualização dos números relativos às notas afetadas.
Segundo os dados divulgados pelo EduQA — Instituto de Educação, Qualidade e Inovação — foram 18 321 as classificações alteradas devido a erros no processo de avaliação dos exames nacionais da primeira fase do ensino secundário. O número é substancialmente superior às 5314 classificações inicialmente avançadas pelo Júri Nacional de Exames após a deteção dos problemas de parametrização.
A distribuição das alterações não foi uniforme entre as diferentes disciplinas. Em Geografia foram alterados 4326 resultados, dos quais 4253 corresponderam a subidas de classificação e 73 a descidas.
Na disciplina de Física e Química foram alteradas 11 319 classificações, com 10 294 alunos a verem a nota subir e 1025 a registarem uma descida.
Em História A foram alterados 2179 resultados, todos no sentido de uma subida da classificação. Já em Português Língua Não Materna foram alteradas 497 classificações, também todas para valores superiores.
O EduQA esclareceu, contudo, que estas alterações não representaram uma nova correção das provas. “Esta atualização não teve qualquer impacto nas pautas enviadas às escolas, nem corresponde a uma nova correção das provas ou a qualquer alteração das classificações dos alunos”, especificou o instituto.
Segundo a mesma explicação, os números apresentados correspondem apenas a “uma retificação dos números comunicados” anteriormente pelo Júri Nacional de Exames.
Época especial procura garantir igualdade depois de um ano marcado por falhas
O arranque da época especial coloca, assim, um ponto adicional no processo dos exames nacionais de 2026, depois de um ano marcado pela introdução da avaliação digital de cerca de 300 mil provas, por atrasos na divulgação das classificações e pela deteção de erros técnicos.
A solução permite que os alunos que tinham direito à 2.ª fase tenham uma nova oportunidade para realizar os exames, independentemente de terem ou não participado nas provas de julho. Para quem já fez um exame na 2.ª fase, a regra da melhor classificação procura evitar qualquer penalização pela repetição da prova em setembro.
Com provas entre hoje e 8 de setembro, publicação de pautas do ensino básico a 9 de setembro e do ensino secundário a 16 de setembro, o calendário prolonga até ao início do novo ano letivo um processo de avaliação que, este ano, obrigou o Ministério da Educação a criar uma solução extraordinária para tentar assegurar condições de equidade entre os estudantes.














