Guia dos exames nacionais e do acesso ao superior: as datas, as regras e as novidades

Este ano há 166.339 alunos inscritos, que vão realizar 340.382 provas a 25 disciplinas, segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação

Executive Digest

A primeira fase dos exames nacionais do ensino secundário arranca esta terça-feira, com a prova de Português, e marca também o início da reta final para milhares de estudantes que querem candidatar-se ao ensino superior. Este ano há 166.339 alunos inscritos, que vão realizar 340.382 provas a 25 disciplinas, segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação.

Do total de inscritos, 93.596 pretendem candidatar-se ao ensino superior, o equivalente a 56% dos alunos. É um ligeiro aumento face ao ano passado, quando 88.637 estudantes, 55% dos inscritos, manifestavam intenção de prosseguir estudos.

Mas a época de exames de 2026 não se resume ao calendário. Há novas regras nos cadernos de resposta, alterações no peso das disciplinas na média final do secundário, provas de ingresso que podem variar consoante o curso e caminhos diferentes para alunos dos cursos científico-humanísticos, cursos profissionais ou estudantes que já terminaram o secundário.

Quem faz exames nacionais este ano?

Há mais 5659 alunos inscritos nos exames nacionais do que no ano passado, embora o número total de provas seja ligeiramente inferior ao de 2025, quando os estudantes se tinham inscrito em 341.708 exames.

Continue a ler após a publicidade

A maioria dos inscritos pertence aos cursos científico-humanísticos, que concentram 140.758 alunos. Ciências e Tecnologias, o curso mais frequentado, lidera também nas inscrições para exames, com 65.457 estudantes. Seguem-se Línguas e Humanidades, com 42.319, Ciências Socioeconómicas, com 20.307, e Artes Visuais, com 10.679.

Há ainda 15.543 alunos de cursos profissionais inscritos em exames nacionais, cerca de 9% do total. Estes estudantes podem usar os exames para concorrer ao ensino superior através do concurso nacional de acesso, mas têm também uma via própria: o concurso especial para diplomados das vias profissionalizantes, criado em 2020.

Português é o exame mais concorrido

Continue a ler após a publicidade

A prova de Português do 12.º ano é a que reúne mais inscrições, com 81.225 alunos. O peso deste exame resulta das novas regras de conclusão do ensino secundário, que tornaram Português obrigatório para todos os alunos dos quatro cursos científico-humanísticos.

Atualmente, os alunos destes cursos têm de realizar três exames nacionais para concluir o secundário: Português, no 12.º ano, e mais duas disciplinas da componente específica, ou uma disciplina específica e Filosofia.

Depois de Português, os exames mais concorridos são Matemática A, com 40.029 inscritos, Biologia e Geologia, com 38.715, e Física e Química A, com 37.659. No extremo oposto estão Português Língua Segunda, com 13 inscritos, e Latim A, com 19.

As raparigas continuam a representar a maioria dos inscritos: são 92.700, o que corresponde a 56% do total. Os rapazes somam 73.639 inscrições, 44%. A idade média dos candidatos é de 17,2 anos.

Para que servem os exames?

Continue a ler após a publicidade

Os exames nacionais podem ter vários objetivos. Podem servir para aprovação numa disciplina, como prova de ingresso no ensino superior, para melhoria de nota ou para concluir disciplinas que ficaram por fazer em anos anteriores.

Este ano, 129.717 estudantes vão realizar pelo menos um exame para aprovação na disciplina. Há ainda 126.603 alunos que farão pelo menos uma prova como alunos internos, mais de 30 mil que procuram melhorar classificações já obtidas e mais de 31 mil que vão realizar exames apenas para acesso ao ensino superior, com o objetivo de melhorar as notas das provas de ingresso.

Para quem está agora no secundário, a regra essencial é começar a planear cedo. Os exames escolhidos no 11.º e no 12.º ano devem estar alinhados com os cursos superiores pretendidos, uma vez que as instituições podem exigir entre uma e três provas de ingresso.

Como escolher as provas de ingresso?

A escolha das provas de ingresso deve ser feita a partir dos requisitos definidos por cada curso e por cada instituição de ensino superior. A informação deve ser consultada no site da Direção-Geral do Ensino Superior.

Isto é especialmente importante para alunos do 11.º ano, que ainda estão a tempo de ajustar escolhas. Quem pretende entrar num determinado curso deve verificar quais os exames exigidos, se basta uma prova ou se são necessárias duas ou três, e se essas provas têm pesos iguais ou diferentes na nota de candidatura.

As provas de ingresso têm validade de cinco anos: contam no ano em que são realizadas e nos quatro anos seguintes. Isto permite que um estudante que não entre no ensino superior imediatamente, ou que queira voltar a candidatar-se mais tarde, possa usar exames ainda válidos.

Como é calculada a média do secundário?

Entre as mudanças recentes está também a alteração ao cálculo da média final do secundário para os estudantes dos cursos científico-humanísticos.

Agora, cada disciplina tem um peso diferente consoante a sua duração. Uma disciplina trienal, como Português, Matemática A, História A ou Desenho A, tem maior peso na média final do que uma disciplina anual ou bienal.

Isto significa que as notas obtidas desde o 10.º ano ganham mais relevância no resultado final do secundário. Para os alunos que ainda estão no início do percurso, a mensagem é clara: a média constrói-se desde cedo.

Nas disciplinas sujeitas a exame para conclusão do secundário, a classificação final resulta da combinação entre a nota interna e a nota do exame. Regra geral, o exame pesa 25% e a classificação interna da disciplina pesa 75%.

Como se calcula a nota de candidatura?

A nota de candidatura ao ensino superior não tem uma fórmula única para todos os cursos. Depende dos pesos definidos por cada instituição para a média do secundário, as provas de ingresso e eventuais pré-requisitos.

Ainda assim, há uma lógica comum: a média do secundário tem sempre um peso relevante, as provas de ingresso podem ser decisivas e alguns cursos podem exigir pré-requisitos, como provas de aptidão, entrevistas, exames médicos, portfólios ou testes práticos.

Num exemplo simplificado, se um curso atribuir 40% à média do secundário, 45% às provas de ingresso e 15% aos pré-requisitos, um aluno com média de 16 valores, provas de ingresso com 17 valores e pré-requisitos avaliados em 18 valores teria uma nota de candidatura de 167,5 pontos.

Se houver duas ou três provas de ingresso, estas podem ter o mesmo peso entre si ou pesos diferentes. Essa informação deve ser confirmada na página de cada curso, no site da DGES.

E quem vem de cursos profissionais?

Os alunos dos cursos profissionais têm regras próprias. Para concluir o secundário, têm de terminar todos os módulos, o projeto final e a formação em contexto de trabalho.

A nota final do curso resulta do desempenho nas disciplinas ou módulos, no projeto final e no estágio curricular.

Estes alunos não realizam exames nacionais obrigatórios para conclusão do secundário como os estudantes dos cursos científico-humanísticos. No entanto, se quiserem concorrer pelo concurso nacional de acesso, terão de realizar as provas de ingresso exigidas pelos cursos superiores a que pretendem candidatar-se.

Além disso, podem optar pelo concurso especial de acesso ao ensino superior para diplomados das vias profissionalizantes. Esta via não exige exames nacionais como provas de ingresso, mas as instituições realizam provas próprias e aplicam critérios específicos.

No concurso nacional de acesso, a nota de candidatura dos alunos dos cursos profissionais considera a nota final do curso e as provas de ingresso. A nota final do curso deve pesar, pelo menos, 50% da classificação de candidatura.

E quem já terminou o secundário?

Quem já concluiu o ensino secundário também pode voltar a candidatar-se ao ensino superior ou melhorar a candidatura. Não tem de repetir o secundário, recalcular toda a média ou fazer obrigatoriamente o exame de Português, salvo se esse exame for necessário para o curso pretendido ou para melhoria.

O ponto essencial é verificar quais são as provas de ingresso exigidas pelo curso e confirmar se os exames realizados ainda estão dentro da validade de cinco anos.

Quem pretende mudar de área pode ter de fazer novas provas de ingresso, caso os exames anteriores não correspondam aos requisitos do novo curso. Também é possível realizar novos exames nacionais para melhorar notas internas ou provas de ingresso.

Estas melhorias podem ser importantes para cursos com médias mais elevadas ou para estudantes que queiram reforçar a candidatura em anos seguintes.

Novos cadernos de resposta: o que muda?

Os exames nacionais de 2026 trazem também uma alteração importante no formato das provas escritas. As tradicionais folhas de resposta foram substituídas por novos cadernos de resposta e folhas de continuação, num modelo preparado para permitir correção digital automatizada.

A mudança aplica-se à maioria das disciplinas, com exceção de Geometria Descritiva A e Desenho A, onde se mantêm os modelos anteriores.

As provas continuam a ser realizadas em papel, mas o preenchimento passa a exigir maior rigor. Na primeira página, os alunos devem preencher nome completo, número do cartão de cidadão, número interno e assinatura. Quando houver duas versões da prova, a versão correta deve ser assinalada através do preenchimento completo do círculo correspondente.

A terceira página é reservada às perguntas de escolha múltipla. Cada resposta deve ser assinalada no espaço próprio, preenchendo totalmente o círculo da opção escolhida. Esta será a única página considerada para a correção deste tipo de pergunta.

Resposta no sítio errado pode valer zero

As restantes páginas destinam-se às respostas de construção, com cada pergunta associada a uma página própria. Nos exames de Matemática A, Matemática B e MACS, estas páginas incluem área quadriculada. Nos restantes exames, a área é pautada.

O IAVE deixa uma regra essencial: cada resposta deve ser escrita exclusivamente na página correspondente ao respetivo item. Não é permitido ultrapassar as margens laterais ou inferiores da página.

Se o espaço não for suficiente, os alunos devem usar folhas de continuação. Quando usam folhas incluídas no caderno, têm de identificar corretamente a pergunta e assinalar a sequência da folha. Se estas se esgotarem, podem pedir uma folha adicional ao professor vigilante.

O aviso é particularmente importante: uma resposta escrita fora do local correto não será considerada para classificação. Mesmo que esteja certa, pode receber zero pontos se não estiver na página indicada.

Caneta azul ou preta e sem corretor

As regras de preenchimento também exigem cuidados simples, mas decisivos. Os alunos devem usar apenas caneta ou esferográfica de tinta azul ou preta. Não é permitido usar corretor, seja líquido ou fita.

Em caso de erro, o conteúdo que não deve ser classificado deve ser riscado de forma clara. As folhas não podem ser dobradas e os círculos das respostas devem ser totalmente preenchidos.

Se o aluno quiser alterar uma resposta de escolha múltipla, deve anular a opção anterior com um “X” e assinalar a nova resposta. Antes de começar a responder, deve confirmar sempre se está na página certa.

Calendário dos exames nacionais

A primeira fase arranca esta terça-feira, com o exame de Português. A prova de Biologia e Geologia está marcada para 18 de junho, Matemática A para 23 de junho e Física e Química A para 25 de junho.

A primeira fase termina a 26 de junho, com os exames de Desenho A e Filosofia. As pautas serão afixadas a 14 de julho.

A segunda fase dos exames nacionais decorrerá entre 16 e 22 de julho.

Calendário do acesso ao ensino superior

As candidaturas à primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior decorrem entre 20 de julho e 6 de agosto.

Os resultados das colocações serão conhecidos a 23 de agosto. Até ao final de setembro, haverá ainda mais duas fases de ingresso para quem procurar uma vaga no ensino superior.

Para os candidatos, a regra mais importante é cruzar três informações antes de tomar decisões: os exames que têm ou vão realizar, as provas de ingresso exigidas por cada curso e os pesos usados por cada instituição na nota de candidatura.

O que os estudantes devem verificar antes dos exames?

Antes da primeira prova, os alunos devem confirmar o calendário, os documentos necessários, o material autorizado e o modelo de caderno de resposta da disciplina.

Também devem verificar se sabem preencher corretamente a identificação, assinalar a versão da prova, responder às perguntas de escolha múltipla na página certa e usar folhas de continuação.

Para quem quer entrar no ensino superior, os exames não são apenas o fim do secundário. São também a porta de entrada para a candidatura, a melhoria de nota ou a mudança de percurso académico.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.