Guia dos exames nacionais 2026: datas, novidades e tudo o que precisa de saber

Começa esta terça-feira uma das etapas mais importantes do ano letivo para milhares de estudantes portugueses.

Executive Digest

Começa esta terça-feira uma das etapas mais importantes do ano letivo para milhares de estudantes portugueses. A primeira fase dos exames nacionais do ensino secundário arranca hoje com a realização da prova de Português e marca o início da reta final para os alunos que pretendem concluir o secundário ou candidatar-se ao ensino superior.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação, estão inscritos este ano 166.339 estudantes, que irão realizar um total de 340.382 exames distribuídos por 25 disciplinas. Entre os inscritos, 93.596 alunos manifestaram intenção de prosseguir estudos no ensino superior, o que representa 56% do total, um valor ligeiramente superior ao registado em 2025, quando 88.637 estudantes indicaram esse objetivo.

Além do elevado número de participantes, a época de exames de 2026 fica marcada por alterações relevantes, incluindo novos cadernos de resposta preparados para correção digital, mudanças no cálculo da média final do secundário e novas regras que os alunos terão de cumprir durante a realização das provas.

Mais alunos inscritos do que no ano passado
Os exames nacionais registam este ano um aumento de 5.659 alunos inscritos em comparação com 2025. Apesar disso, o número total de provas é ligeiramente inferior ao do ano passado, quando tinham sido registadas 341.708 inscrições em exames.

A esmagadora maioria dos candidatos pertence aos cursos científico-humanísticos, que concentram 140.758 alunos.

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O curso de Ciências e Tecnologias continua a liderar, com 65.457 estudantes inscritos, seguido por Línguas e Humanidades, com 42.319 alunos, Ciências Socioeconómicas, com 20.307, e Artes Visuais, com 10.679.

Existem ainda 15.543 estudantes provenientes dos cursos profissionais inscritos em exames nacionais, representando cerca de 9% do total.

Português volta a ser o exame mais procurado
A prova de Português do 12.º ano, que se realiza esta terça-feira, é novamente o exame nacional com maior número de inscrições.

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No total, 81.225 alunos vão realizar esta prova, reflexo das regras atualmente em vigor que tornaram o exame obrigatório para todos os estudantes dos cursos científico-humanísticos.

Atualmente, para concluir o ensino secundário, estes alunos têm de realizar três exames nacionais: Português e mais duas disciplinas da componente específica, ou uma disciplina específica e Filosofia.

Depois de Português, os exames com mais inscritos são Matemática A, com 40.029 candidatos, Biologia e Geologia, com 38.715, e Física e Química A, com 37.659.

No extremo oposto surgem disciplinas com reduzido número de candidatos, como Português Língua Segunda, que conta apenas com 13 inscritos, e Latim A, com 19.

As raparigas continuam a representar a maioria dos alunos inscritos, somando 92.700 candidatas, equivalentes a 56% do total. Os rapazes representam 44%, com 73.639 inscrições. A idade média dos candidatos é de 17,2 anos.

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Para que servem os exames nacionais?
Embora sejam frequentemente associados ao acesso à universidade, os exames nacionais têm várias finalidades.

Podem servir para concluir disciplinas, melhorar classificações, funcionar como provas de ingresso para o ensino superior ou permitir a conclusão de unidades curriculares que ficaram em atraso em anos anteriores.

Este ano, 129.717 estudantes realizarão pelo menos um exame para aprovação à disciplina. Outros 126.603 farão provas como alunos internos.

Existem ainda mais de 30 mil candidatos que pretendem melhorar classificações já obtidas e mais de 31 mil que realizarão exames exclusivamente para melhorar as notas das provas de ingresso exigidas pelas instituições de ensino superior.

A escolha dos exames pode determinar o futuro académico
Uma das principais recomendações dirigidas aos alunos passa pelo planeamento atempado dos exames a realizar.

As instituições de ensino superior podem exigir entre uma e três provas de ingresso, dependendo do curso e da universidade ou politécnico escolhidos.

Por essa razão, os estudantes devem consultar cuidadosamente os requisitos divulgados pela Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), verificando quais os exames exigidos para cada curso, quantas provas são necessárias e qual o peso atribuído a cada uma delas.

As provas de ingresso mantêm uma validade de cinco anos, podendo ser utilizadas no ano da realização e nos quatro anos seguintes.

Esta regra permite que os estudantes utilizem os mesmos exames em candidaturas futuras sem necessidade de repetir as provas.

Média do secundário tem novas regras
Uma das alterações mais importantes dos últimos anos diz respeito à forma como é calculada a média final do ensino secundário.

Nos cursos científico-humanísticos, as disciplinas passaram a ter pesos diferentes consoante a sua duração.

Assim, disciplinas trienais, como Português, Matemática A, História A ou Desenho A, assumem um peso superior relativamente a disciplinas anuais ou bienais.

Na prática, as classificações obtidas desde o 10.º ano passaram a ter maior influência na média final, reforçando a importância do desempenho ao longo de todo o percurso escolar.

Nas disciplinas sujeitas a exame nacional para conclusão do secundário, a classificação final resulta normalmente da combinação entre a avaliação interna da disciplina e a nota do exame.

Regra geral, a classificação interna representa 75% da nota final, enquanto o exame contribui com os restantes 25%.

Como é calculada a nota de candidatura ao ensino superior?
A nota de candidatura varia de acordo com as regras estabelecidas por cada instituição e curso.

Contudo, existe uma estrutura comum: a média do ensino secundário tem sempre um peso relevante, as provas de ingresso representam uma componente decisiva e alguns cursos podem ainda exigir pré-requisitos específicos.

Esses pré-requisitos podem incluir provas de aptidão, entrevistas, exames médicos, testes práticos ou apresentação de portfólios.

Os estudantes devem, por isso, consultar antecipadamente as condições de acesso ao curso pretendido para evitar surpresas durante o processo de candidatura.

Cursos profissionais mantêm regras próprias
Os estudantes dos cursos profissionais continuam sujeitos a regras distintas.

Para concluírem o ensino secundário, necessitam de concluir todos os módulos, o projeto final de curso e a formação em contexto de trabalho.

Ao contrário dos alunos dos cursos científico-humanísticos, não realizam exames nacionais obrigatórios para conclusão do secundário.

No entanto, se pretendem concorrer através do concurso nacional de acesso ao ensino superior, terão de realizar as provas de ingresso exigidas pelos cursos a que se candidatam.

Em alternativa, podem recorrer ao concurso especial para diplomados das vias profissionalizantes, criado em 2020, que utiliza provas próprias organizadas pelas instituições de ensino superior.

Quem já concluiu o secundário também pode realizar exames
Os exames nacionais não se destinam apenas aos atuais alunos do ensino secundário.

Os estudantes que já concluíram esta etapa de ensino podem voltar a realizar provas para melhorar classificações, alterar o percurso académico ou candidatar-se a cursos que exigem provas de ingresso diferentes das anteriormente realizadas.

Nestes casos, é fundamental verificar se os exames realizados anteriormente continuam válidos dentro do prazo de cinco anos.

Novos cadernos de resposta trazem mudanças importantes
Uma das principais novidades dos exames nacionais de 2026 é a introdução de novos cadernos de resposta.

As tradicionais folhas soltas foram substituídas por cadernos concebidos para permitir uma futura correção digital automatizada.

A alteração aplica-se à maioria das disciplinas, excetuando Geometria Descritiva A e Desenho A.

Embora os exames continuem a ser realizados em papel, o preenchimento exige agora maior rigor.

Os alunos terão de preencher cuidadosamente os dados de identificação na primeira página, assinalar corretamente a versão da prova quando existirem diferentes versões e responder às questões de escolha múltipla exclusivamente nos espaços destinados para esse efeito.

Um erro pode custar a classificação da resposta
O Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) alerta para uma regra particularmente importante.

Cada resposta de desenvolvimento deverá ser escrita apenas na página destinada à respetiva pergunta.

As respostas colocadas em páginas incorretas poderão simplesmente não ser consideradas para classificação.

Mesmo que estejam corretas, podem receber zero pontos se não estiverem no local apropriado.

Quando o espaço disponível não for suficiente, os alunos deverão utilizar folhas de continuação devidamente identificadas.

Caneta azul ou preta e corretor proibido
As regras de preenchimento mantêm algumas exigências habituais.

Os alunos apenas podem utilizar caneta ou esferográfica de tinta azul ou preta.

A utilização de corretor líquido ou fita corretora continua proibida.

Em caso de erro, a informação deve ser riscada de forma clara, sem recorrer a qualquer produto corretor.

As folhas não podem ser dobradas e os círculos das respostas de escolha múltipla devem ser completamente preenchidos.

Calendário dos exames nacionais
A primeira fase decorre entre hoje e 26 de junho.

Após o exame de Português desta terça-feira, seguem-se algumas das provas mais aguardadas pelos estudantes:

  • Biologia e Geologia: 18 de junho
  • Matemática A: 23 de junho
  • Física e Química A: 25 de junho
  • Filosofia e Desenho A: 26 de junho

As classificações da primeira fase serão divulgadas a 14 de julho.

A segunda fase dos exames nacionais decorrerá entre 16 e 22 de julho.

Quando começam as candidaturas ao ensino superior?
Terminados os exames, a atenção dos estudantes vira-se para o acesso ao ensino superior.

A primeira fase do concurso nacional de acesso decorre entre 20 de julho e 6 de agosto.

Os resultados das colocações serão conhecidos a 23 de agosto.

Posteriormente realizar-se-ão ainda a segunda e terceira fases do concurso nacional, permitindo a ocupação das vagas remanescentes.

O que os alunos devem confirmar antes de entrar na sala?
Antes da realização das provas, os estudantes devem verificar cuidadosamente o calendário dos exames, os documentos de identificação exigidos, o material autorizado e as regras específicas do respetivo caderno de resposta.

Também é fundamental confirmar que sabem preencher corretamente os dados de identificação, assinalar a versão da prova quando aplicável, responder às perguntas no local correto e utilizar adequadamente as folhas de continuação.

Para milhares de jovens portugueses, os exames nacionais que começam esta terça-feira representam muito mais do que o encerramento de um ciclo escolar. São a porta de entrada para o ensino superior, uma oportunidade de melhorar classificações e, em muitos casos, o primeiro passo para concretizar o percurso académico e profissional desejado.

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