Donald Trump prepara-se para dirigir uma mensagem direta aos maiores fabricantes de armamento dos Estados Unidos: a indústria de defesa tem de produzir mais e fazê-lo muito mais depressa. As guerras na Ucrânia e no Médio Oriente estão a consumir reservas de mísseis e munições e a expor fragilidades nas cadeias de abastecimento americanas.
Segundo o ‘The Independent’, o presidente dos Estados Unidos participa esta quarta-feira numa mesa-redonda com altos responsáveis militares, dirigentes das principais empresas de defesa, tecnológicas e investidores. O encontro encerra a Cimeira de Defesa e Inovação, realizada no U.S. Army War College, na Pensilvânia.
Trump deverá exigir um aumento substancial da capacidade industrial e anunciar novos investimentos no setor da defesa naquele estado. A administração considera que a atual produção não acompanha o ritmo das operações militares nem permite repor rapidamente o material enviado para os aliados.
A pressão já tinha sido transmitida na terça-feira pelo general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA. “Vão mais depressa. Por favor, vão mais depressa. Pensem de forma mais ousada”, pediu aos representantes da indústria, defendendo que as empresas têm de acompanhar a velocidade da guerra moderna.
Os Estados Unidos enviaram armamento no valor de milhares de milhões de dólares para países aliados e consumiram grandes quantidades de munições de precisão nas suas próprias operações. Esta procura está a levantar dúvidas sobre os níveis disponíveis de intercetores, mísseis e outros sistemas considerados essenciais.
De acordo com o ‘The Independent’, Trump tem pressionado pessoalmente os fabricantes. No final de junho, reuniu na Casa Branca empresas produtoras de munições para exigir um aumento do volume e maior rapidez nas entregas.
A Casa Branca vê também este esforço como parte de uma estratégia mais ampla para reconstruir a capacidade industrial dos Estados Unidos. O investimento do Pentágono deverá servir para abrir novas fábricas, reforçar fornecedores nacionais e desenvolver métodos de fabrico mais rápidos.
A subida da procura está igualmente a alterar o setor. Empresas emergentes financiadas por investidores de Silicon Valley começam a desafiar os grandes contratantes tradicionais, prometendo fabricar sistemas militares de forma mais rápida e barata.
Fabricantes estabelecidos, entre os quais a Northrop Grumman e a L3Harris, estão entretanto a investir em impressão 3D e noutras técnicas avançadas para acelerar a produção de motores de foguetes, componentes de mísseis e equipamento crítico.
Michael Duffey, responsável pelas aquisições do Pentágono, explicou que o Departamento da Defesa está a recorrer a contratos de longo prazo para dar às empresas maior segurança antes de investirem na expansão das fábricas.
Cerca de 20 mil milhões de dólares, aproximadamente 17,5 mil milhões de euros, em investimento privado já estarão associados a planos para aumentar a produção de mísseis Patriot e de outros sistemas com elevada procura. A conversão é aproximada e utiliza a taxa de referência do Banco Central Europeu de 15 de julho.
“O ambiente mundial exige agora que produzamos a esta escala, a esta velocidade e neste volume”, afirmou Duffey. Para Washington, a questão deixou de ser apenas desenvolver armamento mais avançado: é conseguir fabricá-lo em quantidade suficiente antes que os arsenais sejam pressionados ainda mais.














