Guerra torna-se o maior risco de violência política para empresas, alerta estudo da Allianz

A guerra tornou-se o principal risco de violência política para as empresas a nível mundial, ultrapassando a agitação civil e refletindo um agravamento significativo da instabilidade geopolítica global.

André Manuel Mendes

A guerra tornou-se o principal risco de violência política para as empresas a nível mundial, ultrapassando a agitação civil e refletindo um agravamento significativo da instabilidade geopolítica global, revela o Allianz Risk Barometer 2026.

Segundo o relatório “Political Violence and Civil Unrest Trends 2026”, da Allianz Commercial, agora divulgado, os riscos políticos e de violência subiram para a 7.ª posição no ranking global de riscos empresariais — o valor mais elevado de sempre. A guerra é identificada como a principal ameaça por 53% dos inquiridos.

Os conflitos na Europa e no Médio Oriente estão a gerar perturbações nos fluxos comerciais, a pressionar alianças políticas e a aumentar a exposição de ativos empresariais. Entre os participantes da Europa e da região Ásia-Pacífico, cerca de 60% apontam a guerra como o maior risco, seguida da agitação civil (49%) e do terrorismo e sabotagem (46%).

O estudo sublinha que o atual contexto de conflito no Médio Oriente está a intensificar os riscos para a economia global, com impactos diretos na logística, no acesso a mercados e no aumento da exposição a ciberataques e sabotagem.

Mesmo antes desta escalada, a exposição dos ativos empresariais a conflitos tinha aumentado mais de 20% nos últimos cinco anos, segundo a Allianz Research.

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Para o setor segurador, em particular no segmento de Violência Política e Terrorismo (PVT), a situação poderá traduzir-se em perdas significativas e numa reavaliação de riscos em setores e geografias críticas, com impacto potencial superior ao registado durante a guerra na Ucrânia.

No caso português, o Allianz Risk Barometer 2026 indica que o cibercrime continua a ser o principal risco para as empresas nacionais. A Inteligência Artificial sobe para segundo lugar, refletindo a crescente preocupação com o impacto tecnológico e regulatório, enquanto as catástrofes naturais descem para a terceira posição.

O estudo destaca ainda o reforço da relevância da Inteligência Artificial e dos desenvolvimentos macroeconómicos no conjunto dos principais riscos identificados pelas empresas em Portugal.

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A análise aponta também para a persistência de ameaças como sabotagem e distúrbios civis. Nos últimos cinco anos, foram registados cerca de 250 eventos de greves, motins e distúrbios civis com impacto relevante em termos de perdas seguradas.

Em paralelo, os atos de sabotagem — incluindo ataques a infraestruturas críticas — aumentaram de forma significativa nos últimos 18 meses.

Perante este cenário, as empresas estão a reforçar estratégias de resiliência. Mais de um terço (35%) já considera a relocalização ou nearshoring da produção, enquanto quase metade (49%) aposta na diversificação de fornecedores e cadeias de abastecimento — tendências que deverão acelerar com o agravamento do contexto geopolítico.

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