Guerra no Médio Oriente. Irão cede… mas só por cinco anos: proposta nuclear agita negociações com os EUA

Informação é avançada pelo ‘New York Times’, que revela que a proposta iraniana foi reiterada nos contactos mais recentes, depois de já ter sido apresentada em fevereiro, antes da escalada militar ordenada por Donald Trump

Francisco Laranjeira

As negociações entre os Estados Unidos e o Irão voltaram a ganhar fôlego com uma proposta que pode reabrir caminho a um acordo: Teerão admite suspender o seu programa nuclear por até cinco anos, uma solução intermédia que contrasta com a exigência americana de um congelamento muito mais prolongado.

A informação é avançada pelo ‘New York Times’, que revela que a proposta iraniana foi reiterada nos contactos mais recentes, depois de já ter sido apresentada em fevereiro, antes da escalada militar ordenada por Donald Trump.

Cinco anos contra vinte: o impasse que pode desbloquear negociações

O principal ponto de discórdia centra-se na duração da suspensão. Enquanto os Estados Unidos defendem uma pausa de 20 anos em todas as atividades nucleares, o Irão insiste num período máximo de cinco anos.

Esta diferença ilustra o choque de posições: Washington procura garantias de longo prazo de que Teerão nunca desenvolverá uma arma nuclear, enquanto o regime iraniano tenta preservar o direito de retomar o programa no futuro, ao abrigo do Tratado de Não Proliferação Nuclear.

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Ainda assim, o simples facto de ambas as partes estarem agora a discutir prazos — e não a rejeitar liminarmente qualquer suspensão — é visto como um sinal de possível aproximação.

Proposta iraniana já tinha falhado antes da guerra

A oferta de suspensão por cinco anos não é nova. Segundo responsáveis iranianos e americanos, uma proposta semelhante foi apresentada em fevereiro, durante negociações em Genebra que acabaram por falhar.

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Poucos dias depois, Donald Trump ordenou ataques contra o Irão, agravando o conflito e interrompendo o processo diplomático.

Agora, com contactos retomados, a proposta volta à mesa como uma possível base para compromisso.

Negociações podem avançar nos próximos dias

Apesar de ainda não haver encontros formalmente marcados, há indicações de que novas rondas de negociações presenciais poderão ocorrer em breve.

Responsáveis da Casa Branca admitem que o tema está em discussão, enquanto o vice-presidente JD Vance falou em “boas conversas”, sublinhando, no entanto, que o Irão “não foi suficientemente longe”.

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A administração Trump mantém as suas “linhas vermelhas”, incluindo exigências como a remoção de urânio enriquecido do território iraniano e o fim do apoio a grupos como o Hamas e o Hezbollah.

Suspensão pode ser solução intermédia para travar programa nuclear

Especialistas admitem que mesmo uma suspensão temporária — como a proposta de cinco anos — poderia ser vista como um avanço face ao acordo de 2015, criticado por Donald Trump por permitir a retoma gradual do programa nuclear.

Ao longo das últimas décadas, a estratégia dos Estados Unidos tem passado por ganhar tempo, seja através de sanções, ciberataques ou acordos diplomáticos, atrasando o desenvolvimento nuclear iraniano.

Uma pausa de cinco anos prolongaria esse objetivo, reduzindo o risco imediato, ainda que sem eliminar definitivamente a ameaça.

Combustível nuclear e sanções continuam a travar entendimento

Entre os principais obstáculos mantém-se a exigência americana de retirar do Irão cerca de 970 libras (cerca de 440 quilos) de urânio altamente enriquecido, algo que Teerão recusa.

Como alternativa, o regime iraniano propõe diluir o material, tornando-o inutilizável para fins militares — uma solução que também permitiria ganhar tempo, mas que levanta dúvidas sobre o risco de reprocessamento futuro.

Além disso, o Irão exige o desbloqueio de cerca de 6 mil milhões de dólares (cerca de 5,5 mil milhões de euros) em receitas petrolíferas congeladas, um tema que continua a complicar as negociações.

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