Guerra no Médio Oriente ‘ameaça’ preço dos preservativos: maior fabricante do mundo admite aumentos até 30%

ntre os materiais mais afetados estão a borracha sintética e o nitrilo usados na produção de preservativos, mas também componentes ligados à embalagem e lubrificantes, como o óleo de silicone

Francisco Laranjeira

A guerra entre os Estados Unidos e o Irão pode acabar por atingir um produto tão básico como os preservativos. A Karex Berhad, fabricante que abastece marcas como a Durex e a Trojan, admite subir os preços entre 20% e 30% se persistirem as perturbações na cadeia de abastecimento provocadas pelo conflito, relatou o jornal ’20 Minutos’.

O alerta foi deixado pelo CEO da empresa, Goh Miah Kiat, que assume não haver grande margem para absorver o aumento de custos. A pressão está a chegar de várias frentes, desde as matérias-primas aos transportes, numa altura em que a instabilidade no Médio Oriente continua a afetar os fluxos de energia e de produtos petroquímicos.

Entre os materiais mais afetados estão a borracha sintética e o nitrilo usados na produção de preservativos, mas também componentes ligados à embalagem e lubrificantes, como o óleo de silicone. A empresa refere ainda que os atrasos nas entregas estão a provocar ruturas de stock em vários clientes, sobretudo em mercados que já operavam com níveis mais baixos de inventário.

A procura também aumentou. Segundo a empresa, a procura por preservativos cresceu cerca de 30% este ano, ao mesmo tempo que os tempos de transporte se agravaram. Encomendas para destinos como a Europa e os Estados Unidos estão agora a demorar quase dois meses a chegar, quando antes levavam cerca de um mês.

A Karex produz mais de cinco mil milhões de preservativos por ano e fornece não apenas grandes marcas internacionais, mas também o Serviço Nacional de Saúde britânico e programas globais de ajuda das Nações Unidas. Isso significa que qualquer perturbação prolongada no seu abastecimento pode ter impacto bem para lá do retalho, afetando também sistemas públicos e iniciativas de saúde internacional.

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Mais à frente, o ’20 Minutos’ sublinha que a empresa não está sozinha a preparar-se para novos choques. Outros fabricantes, incluindo produtores de luvas médicas, acompanham com preocupação a deterioração das cadeias logísticas e o encarecimento de matérias-primas, numa altura em que a guerra ameaça alastrar o impacto económico muito para além da energia.

O caso mostra até que ponto um conflito geopolítico pode repercutir-se em produtos do quotidiano. Depois do petróleo, dos combustíveis e dos transportes, a guerra começa agora a pressionar também o custo de bens ligados à saúde sexual, num sinal de que a crise está a infiltrar-se em áreas cada vez mais inesperadas do consumo.

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