A escalada militar envolvendo os EUA, Israel e o Irão está a provocar uma forte reação nos mercados energéticos e já há analistas a admitir que o petróleo possa atingir níveis muito superiores aos atuais.
A informação é avançada pelo ‘Jornal de Negócios’, que destaca que a ofensiva coordenada contra a liderança iraniana e a sua infraestrutura nuclear — designada operação “Fúria Épica” — tem sustentado uma subida consistente das cotações do petróleo e do gás.
O aumento dos preços reflete sobretudo um agravamento do risco geopolítico e não uma interrupção imediata da oferta global de energia. Ainda assim, a incerteza sobre a evolução do conflito está a levar alguns analistas a antecipar cenários de forte escalada nos preços do crude, com estimativas que já apontam para valores de três dígitos e até para um possível patamar de 150 dólares por barril (cerca de 138 euros).
Atualmente, o Brent do Mar do Norte — referência para as importações europeias — negoceia perto dos 84,5 dólares por barril (cerca de 78 euros), acumulando uma subida de 16,72% apenas nesta semana. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência para os Estados Unidos, está nos 79,30 dólares (cerca de 73 euros), com uma valorização de 18,44% desde segunda-feira.
Antes da atual escalada militar, o mercado petrolífero encontrava-se num cenário de excedente de oferta. Ruben Nizard, diretor de análise setorial da Coface, explica, citado pelo ‘Jornal de Negócios’, que a produção abundante fora da OPEP+ e a reposição rápida de reservas estavam a pressionar os preços em baixa, lembrando que em 2025 o preço médio do Brent foi de 68 dólares por barril (cerca de 63 euros). O conflito, porém, veio alterar esse equilíbrio ao introduzir um elevado grau de incerteza sobre a segurança do abastecimento energético.
Um dos principais pontos de tensão está no estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo. Cerca de 20% do crude consumido globalmente passa por esta passagem que liga o golfo Pérsico ao golfo de Omã e que está sob influência iraniana. Desde o início dos ataques coordenados, o tráfego marítimo na zona caiu de forma significativa.
Segundo Ruben Nizard, as alternativas logísticas para contornar o estreito são limitadas e insuficientes para compensar uma eventual interrupção prolongada do fluxo. Nesse cenário, o Brent poderá ultrapassar os 100 dólares por barril (cerca de 92 euros) e até superar máximos anteriores, como os 122 dólares registados em fevereiro de 2022 (cerca de 112 euros) ou o recorde histórico de 147,5 dólares atingido em julho de 2008 (cerca de 136 euros).
Outros analistas partilham projeções semelhantes. Cezar Roedel, estratega internacional da Roedel Intel Advisor, considera que o petróleo poderá aproximar-se dos 150 dólares (cerca de 138 euros) caso o bloqueio do estreito de Ormuz pelas forças iranianas se mantenha.
Ainda assim, alguns especialistas acreditam que o conflito poderá ser limitado no tempo. O banco suíço Julius Baer estima que os preços do petróleo se mantenham entre os 80 e os 90 dólares por barril (entre cerca de 74 e 83 euros) durante março, enquanto o gás natural poderá oscilar entre 40 e 50 euros por megawatt-hora antes de aliviar no verão.
Norbert Rücker, diretor de análise económica do Julius Baer, reconhece, no entanto, que a situação permanece altamente incerta. Apesar de o cenário principal não apontar para uma crise energética de grande escala, o risco de uma disrupção significativa do mercado petrolífero continua presente.
Desde o início do conflito, a 28 de fevereiro, vários analistas já reveram em alta as suas estimativas para o preço do petróleo. Alguns líderes do Médio Oriente alertaram mesmo que uma guerra prolongada com o Irão poderá facilmente empurrar as cotações acima dos 100 dólares por barril (cerca de 92 euros), indicou Helima Croft, analista da RBC, em declarações citadas pela Reuters.
Apesar da atual escalada, o JPMorgan mantém uma previsão média para o Brent de cerca de 60 dólares por barril (aproximadamente 55 euros) ao longo deste ano, sobretudo devido ao aumento da produção por parte de países da OPEP+ que tinham limitado a oferta desde 2023. No entanto, se a tensão militar persistir, o banco admite rever em alta o preço médio no segundo trimestre para cerca de 76 dólares por barril (cerca de 70 euros).
Os analistas do JPMorgan alertam ainda que, caso o fluxo de petróleo através do estreito de Ormuz permaneça interrompido durante cinco semanas, o Brent poderá atingir os 100 dólares por barril. Uma guerra prolongada poderá mesmo levar os países do Golfo a reduzir produção por falta de capacidade de armazenamento, criando uma nova pressão sobre os preços.
Outras instituições financeiras partilham preocupações semelhantes. O Bank of America admite que uma disrupção prolongada na região poderá acrescentar entre 40 e 80 dólares por barril ao preço atual do Brent, enquanto a consultora Wood Mackenzie estima que as cotações ultrapassem facilmente os 100 dólares caso o fluxo no estreito de Ormuz não seja rapidamente normalizado.














