Guerra no Irão faz disparar o ‘jet fuel’ 130%. Estas são as companhias aéreas já a subir preços e a cancelar voos

O preço do combustível de aviação disparou mais de 130% em menos de dois meses, numa escalada muito superior à do petróleo bruto, na sequência da guerra no Irão e do bloqueio do estreito de Ormuz.

Pedro Zagacho Gonçalves

O preço do combustível de aviação disparou mais de 130% em menos de dois meses, numa escalada muito superior à do petróleo bruto, na sequência da guerra no Irão e do bloqueio do estreito de Ormuz. O conflito, iniciado após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, está prestes a completar dois meses e já desencadeou a mais grave crise de abastecimento de combustível de aviação na Europa desde a pandemia de 2020.

Cerca de 50% do combustível de aviação refinado que abastece a Europa transita pelo estreito de Ormuz. O bloqueio daquela rota estratégica cortou o fluxo proveniente do Golfo Pérsico, colocando sob pressão companhias aéreas, aeroportos e reguladores europeus, numa altura em que o setor se prepara para a época alta do verão.

Perante o risco de escassez prolongada, a Comissão Europeia está a estudar medidas de emergência. A Agência Internacional de Energia alerta que, caso o conflito se prolongue, as reservas europeias poderão esgotar-se no prazo de seis semanas.

Ao mesmo tempo, escalada do combustível de aviação já levou várias transportadoras a ajustar operações e políticas comerciais.

Volotea aplica sobretaxa variável
A companhia aérea espanhola de baixo custo Volotea cancelou rotas em vários países devido à ausência de contratos de cobertura de combustível, o que a obriga a adquirir combustível aos preços atuais de mercado.

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Desde 16 de março de 2026 e “até novo aviso”, a empresa passou a rever o preço do combustível sete dias antes de cada voo. Caso se verifique um aumento, pode aplicar um suplemento até 14 euros por bilhete. Se o preço descer, compromete-se a reembolsar até 14 euros aos passageiros.

Lufthansa corta 20 mil voos
A alemã Lufthansa anunciou a suspensão de 20 mil voos entre maio e outubro, numa estratégia para reduzir custos e consumo de combustível. Cerca de 120 voos diários já foram cancelados.

A redução afeta sobretudo rotas de curto curso a partir das bases de Frankfurt e Munique, integrando uma reorganização mais ampla da rede europeia, que inclui Zurique, Viena, Bruxelas e Roma. A companhia estima que a medida reduza a capacidade em cerca de 1% durante o verão.

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Air France-KLM aumenta tarifas e corta operações
O grupo Air France-KLM planeia aumentar em 50 euros as tarifas de cabine em viagens de longo curso (ida e volta), como forma de compensar o aumento do combustível.

A KLM cancelará 160 voos no próximo mês no aeroporto de Amesterdão-Schiphol. A companhia esclarece que não enfrenta escassez de combustível, tratando-se antes de uma medida de poupança face ao encarecimento.

Os passageiros afetados serão reencaminhados para o voo seguinte disponível. Em destinos com várias frequências diárias, como Londres e Düsseldorf, a transportadora garante que a recolocação será rápida.

Air Europa com coberturas curtas
A Air Europa ainda não anunciou medidas concretas, mas opera com contratos de cobertura de curta duração, o que significa que está mais exposta aos preços atuais do mercado.

Ryanair protegida por coberturas
A Ryanair afirma estar tranquila. A companhia irlandesa tem 85% do combustível assegurado a preços anteriores à crise, tornando-se uma das transportadoras europeias mais protegidas no curto prazo.

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Até ao momento, apenas anunciou alterações no processo de check-in, exigindo que os passageiros cheguem mais cedo ao aeroporto para entrega de bagagem.

Iberia e Vueling amortecem impacto
O grupo IAG, que integra Iberia e Vueling, tem 62% do combustível de 2026 já coberto por contratos de proteção, o que permite amortecer o impacto imediato e adiar eventuais aumentos tarifários.

Estados Unidos também sob pressão
Nos Estados Unidos, a American Airlines anunciou um aumento de 10 dólares nas taxas da primeira e segunda bagagem despachada e de 150 dólares na terceira mala, em voos domésticos e internacionais de curta distância.

A transportadora reduziu ainda alguns benefícios para passageiros da classe económica e prevê um acréscimo de 400 milhões de dólares nas despesas do primeiro trimestre devido ao encarecimento do combustível de aviação.

Podem ser aplicadas sobretaxas após a compra?
A Comissão Europeia considera que “não existe justificação para acrescentar sobretaxas de combustível aos bilhetes já adquiridos”, isto é, comprados antes da subida de preços. Um porta-voz do executivo comunitário afirmou que tal prática “poderá levantar problemas ao abrigo das diretivas da UE relativas a práticas comerciais desleais ou cláusulas contratuais abusivas”.

Bruxelas recorda que o Regulamento dos Serviços Aéreos obriga qualquer vendedor de bilhetes a apresentar “sempre o preço final a pagar no momento da compra”, incluindo “todos os impostos, taxas e encargos inevitáveis e previsíveis”.

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