Guerra na Ucrânia: UE prepara ‘cenouras’ para aliciar países e afastá-los da Rússia e da China

O briefing do plano estabelece que são quatro os países considerados chave neste esforço: O Brasil o Chile, a Nigéria e o Cazaquistão.

Pedro Zagacho Gonçalves

A União Europeia está a desenvolver um plano para tentar conquistar mais aliados e influenciar mais pessoas noutros países. A ideia é ‘adoçar a boca’ de alguns “países prioritários” que estão nos limites da aliança ocidental, com o objetivo de os afastar da Rússia, reforçar o armamento dado à Ucrânia e causar mais constrangimentos à China.

O briefing do plano, que já anda a circular por Bruxelas e foi consultado pelo Político, estabelece que são quatro os países considerados chave neste esforço: O Brasil o Chile, a Nigéria e o Cazaquistão.

O documento indica onde o como a UE pode fazer progressos com cada um dos países, esperando-se que se possam acenar com possíveis acordos económicos, mas são ainda apontadas ofertas ‘à medida’ que a UE pode fazer aos territórios, para melhorar as relações, em áreas como a energia, migrações, desenvolvimento económico e coordenação de segurança O foco é em “cenouras”, não em castigos, com o objetivo de ter mais aleados para construir uma economia de nova geração sem ter de recorrer ou agradar a autocratas.

“Encontramo-nos num ambiente geopolítico muito competitivo: não apenas uma batalha de narrativas, mas também uma batalha de ofertas”, estipula o documento, que assinala a necessidade da UU “melhorar as suas ofertas para incrementar as relações com outros países”.

Os ministros dos negócios estrangeiros da UE já estarão a discutir a estratégia, esta segunda-feira, no Luxemburgo.

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“É uma grande reorientação da forma como fazemos política com outros países. Não a nossa política estrangeira, mas a forma como a fazemos”, explica um diplomata próximo do processo.

Os motivos da escolha dos quatro países a influenciar positivamente são fáceis de perceber: cada um representa uma área mais fora do controlo e esfera da UE, onde os aliados estão a procurar influência ou recursos em competição com a Rússia e a China. Brasil e Chile estão na América latina e são ricos em matérias-primas, a Nigéria é uma potência económica da África ocidental e o Cazaquistão tem nas suas mãos o petróleo e o gás da Ásia Central.

O documento estipula os “interesses da UE” em cada um dos países, os “interesses” de cada um dos territórios, os “desafios” e as “oportunidades”.

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Por exemplo, no caso do Brasil, a mudança do Governo, agora com Lula da Silva na Presidência, é vista como uma abertura. “O atual governo mostra sinais de vontade de intensificar a cooperação com a UE”, assinala o plano.

Aproveitando a oportunidade de o Brasil querer “ser reconhecido e tratado como um ator global” e procurar “melhor acesso ao mercado da UE para produtos agrícolas”, o caminho de aproximação será feito com base no comércio. A UE está a tentar reativar o acordo comercial do MERCOSUL, há muito parado com os países da América do Sul, e o Brasil é visto como um agente essencial para este esforço.

Outro aspeto a ter em consideração é o facto de o Brasil não querer depender da Rússia e Bielorrússia para fertilizantes, o que poderá ajudar a UE a conseguir avanços em acordos “de transação verde e digital” com Lula da Silva.

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