Terminam esta 3ª feira os referendos sobre a integração na Federação Russa de Donbass e Lugansk – nas regiões de Donetsk e Kherson a votação presencial ocorrerá apenas hoje.
Estes referendos, com o modelo daquele que formalizou a anexação da península ucraniana da Crimeia (sul) pela Rússia em 2014, denunciados pela comunidade internacional, têm estado a ser preparados há vários meses. Nenhuma das regiões é totalmente controlada pela Rússia e a hipótese da sua integração em território russo representaria uma grande escalada no conflito, que dura há quase oito meses.
O referendo nos territórios ocupados por Kiev foi considerado uma “farsa” tanto por ucranianos e ocidentais. As autoridades separatistas de Donetsk e Lugansk, no entanto, já o declararam válido – de acordo com as autoridades pró-Rússia locais, a participação atingiu 76,09% no terceiro dia de votação em Lugansk e ultrapassou 50% em Donetsk. Mais de 850 mil pessoas foram às urnas.
Para a presidente da Câmara Alta do Parlamento russo (Duma), Valentina Matviyenko, os residentes das áreas ocupadas estão a votar “pela vida ou morte.”
Volodymyr Zelensky, depois de reiterar nos últimos dias que os referendos em andamento em Donbass, Kherson e Zaporizhia são “falsos”, garantiu, em entrevista à televisão americana ‘CBS’: “O Governo russo pode anunciar oficialmente que o referendo” nos territórios ocupados da Ucrânia “é terminar e anunciar os resultados”.
No entanto, isso vai “tornar impossível continuar qualquer negociação diplomática com o presidente da Federação Russa e ele sabe muito bem”, explicou, ressalvando que “este é um sinal muito perigoso do presidente Putin, que nos diz que Putin não vai acabar com esta guerra”, concluiu Zelensky.


