Ruth Deyermond, investigadora do Departamento de Estudos de Guerra do King’s College London, considera que a guerra na Ucrânia ainda vai prolongar-se por muito mais tempo, não vendo um fim, à vista “brevemente”.
Em entrevista ao ‘Expresso’, a responsável recusa-se a fazer previsões concretas de datas, mas sabe que o fim não será tão cedo. “A única previsão que traço é que isto não acabará rapidamente. Nenhum dos lados teve perdas suficientes para resolver abdicar de tudo”, sublinha.
“A Ucrânia tem-se saído muito melhor, e a Rússia está a fraquejar mas não foi ainda derrotada militarmente. Obviamente Putin tem um interesse muito pessoal em não ser derrotado de forma absoluta, em não desistir, porque isso seria desastroso para ele, do ponto de vista político”, acrescenta.
A responsável acredita “que permanecerão ambos os lados a lutar, exceto se alguma das partes fizer uma concessão muito significativa nas matérias de neutralidade e de disputa de territórios. Não será um conflito que acabará brevemente”, reitera.
“Assim que se tornou evidente que as coisas não se resolveriam rapidamente, a favor da Rússia, tornou-se imprevisível o desfecho, porque não sabemos o que realmente acontece no terreno. Como observadores, é muito difícil apurar o que realmente está a acontecer. Não vemos o desenrolar dos acontecimentos na maioria dos casos”, adianta ainda Deyermond, citada pelo jornal.
A especialista refere também que “ficaria bastante surpresa se houvesse um resultado, se houvesse sucesso (nas negociações), porque as aspirações dos dois lados do conflito não são compatíveis”.
“Se a Rússia quer que a Ucrânia seja neutral, não tendo tropas estrangeiras no seu território, então teria de retirar todas as suas tropas também, incluindo da Crimeia, porque, para os ucranianos, a Crimeia pertence à Ucrânia. A Rússia nunca irá concordar com isso. Também não imagino a Ucrânia a reconhecer que a Crimeia é russa, ou a independência de Donetsk”, aponta.
Neste sentido, conclui, “exceto se encontrarem uma posição com que ambos os países possam concordar sobre estas regiões, o acordo de paz fica inviabilizado. Não há como acontecer. Nenhum dos lados perdeu o suficiente para estar disposto a conceder abdicando desses territórios”.






