Guerra em Ormuz entra numa nova era: EUA estreiam barcos kamikaze não tripulados contra o Irão

Imagens divulgadas pelo Comando Central dos Estados Unidos, conhecido como Centcom, mostram três embarcações não tripuladas Corsair a avançarem a alta velocidade em direção aos cais. Seguem-se grandes explosões e densas colunas de fumo sobre o porto

Francisco Laranjeira

Os Estados Unidos utilizaram pela primeira vez barcos não tripulados de ataque suicida numa operação militar, lançando três embarcações carregadas de explosivos contra instalações navais iranianas junto ao Estreito de Ormuz.

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Segundo o ‘The Independent’, os alvos situavam-se na base naval de Bandar Abbas e incluíam uma instalação destinada à manutenção de submarinos e navios. O ataque ocorreu num momento de renovada escalada entre Washington e Teerão pela disputa do controlo de uma das rotas marítimas mais importantes do mundo.

Imagens divulgadas pelo Comando Central dos Estados Unidos, conhecido como Centcom, mostram três embarcações não tripuladas Corsair a avançarem a alta velocidade em direção aos cais. Seguem-se grandes explosões e densas colunas de fumo sobre o porto.

“As três embarcações de superfície não tripuladas Corsair atingiram o porto da base naval de Bandar Abbas”, anunciou o Centcom, acrescentando que esta foi a primeira utilização de drones marítimos em combate pelas forças dos EUA.

O comando americano afirmou que os ataques reduziram a capacidade do Irão para continuar a atingir navios comerciais no Estreito de Ormuz.

Até 450 quilos de explosivos

O Corsair foi desenvolvido pela empresa americana Saronic e pode transportar uma carga útil próxima dos 450 quilos. A embarcação ultrapassa os 35 nós, cerca de 65 quilómetros por hora, e pode ser utilizada em missões de vigilância, transporte, salvamento ou ataque.

Neste caso, os barcos foram transformados em armas de utilização única: dirigiram-se contra os alvos e explodiram no momento do impacto.

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O mesmo modelo já tinha sido utilizado numa missão de salvamento para recuperar os tripulantes de um helicóptero Apache que caiu próximo da costa de Omã, mas nunca tinha sido empregado pelos Estados Unidos para atacar um alvo.

A operação mostra como os aparelhos não tripulados estão a assumir um papel crescente também na guerra naval. Até agora, os drones aéreos tinham ocupado grande parte da atenção, sobretudo devido ao seu uso intensivo na Ucrânia e no Médio Oriente.

O Irão tem igualmente utilizado embarcações rápidas, drones marítimos e minas para ameaçar operações dos EUA e condicionar a passagem de navios pelo estreito.

Em março, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que Washington tinha pedido apoio a Kiev para enfrentar enxames de drones iranianos, uma indicação de que a experiência adquirida na guerra da Ucrânia está a ser observada por outras forças militares.

Batalha pelo controlo de Ormuz

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O ataque a Bandar Abbas ocorreu durante a terceira noite consecutiva de operações americanas contra o Irão, depois de Donald Trump ter restabelecido o bloqueio a embarcações iranianas.

O presidente dos Estados Unidos declarou também que Washington poderá assumir o controlo da segurança no Estreito de Ormuz e ser compensado pelos custos dessa missão.

Trump afirmou que os EUA passarão a ser o “guardião do estreito”, uma proposta que agravou ainda mais a disputa com Teerão sobre quem controla a passagem e em que condições os navios podem atravessá-la.

A utilização dos barcos kamikaze procura precisamente atingir a infraestrutura naval iraniana responsável pela manutenção das embarcações e submarinos que operam naquela zona.

O ‘The Independent’ refere que o Irão respondeu aos ataques americanos com ofensivas contra instalações militares dos EUA e dos seus aliados no Bahrein, Kuwait, Omã e Jordânia.

A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter atingido sistemas de radar, depósitos de combustível e paióis de munições, embora nem todas essas alegações tenham sido verificadas de forma independente.

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Negociações decorrem em plena guerra

Washington e Teerão encontram-se formalmente dentro de um período de 60 dias destinado a negociar uma solução para o programa nuclear iraniano e um fim mais duradouro para o conflito.

O entendimento inicial previa a passagem segura e sem portagens pelo Estreito de Ormuz durante esse período, mas não resolveu a disputa de fundo sobre o controlo da rota marítima.

Trump já declarou considerar a trégua praticamente terminada, acusando o regime iraniano de continuar a atacar embarcações comerciais.

O presidente notificou ainda o Congresso de que os Estados Unidos voltaram a estar em guerra com o Irão, abrindo um novo período de 60 dias durante o qual a administração pode conduzir operações militares sem uma autorização parlamentar adicional.

O Centcom revelou que mais de 50 mil militares americanos se encontram agora destacados no Médio Oriente.

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A estreia dos barcos kamikaze representa mais do que uma novidade tecnológica. Ao atacar diretamente a capacidade de manutenção naval iraniana, Washington procura limitar os meios com que Teerão ameaça a navegação e disputar no mar o domínio do Estreito de Ormuz.

O conflito entra, assim, numa nova fase: além de aviões, mísseis e drones aéreos, a batalha por Ormuz passou também a ser travada por pequenas embarcações sem tripulação, rápidas e carregadas de explosivos.

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