Para americanos e outros responsáveis do mundo ocidental, ainda não está claro qual será o próximo passo de Vladimir Putin, a decidir ainda que ordens dará às forças militares que se acumularam junto à fronteira da Ucrânia. Por um lado, consideram que ainda há espaço para a diplomacia. Mas, numa entrevista coletiva dada este domingo pelo chefe do Pentágono, os russos têm ainda uma ampla gama de possibilidades à sua disposição.
A mais provável, reconhece Lloyd Austin, é a invasão de Donbass. Região Situada no sudeste da Ucrânia e controlada pela Rússia desde 2014, a tomada de Donbass é vista como a decisão mais fácil para Moscovo, que assim poderia evitar confrontos com a linha de defesa ucraniana, localizada bem longe da sua capital, Donetsk. Ali, ao contrário do que acontece nas zonas ocidentais da Ucrânia, a população é maioritariamente de língua russa e terá aceitado, insiste Moscovo, a declaração da região como República Popular, alinhando-se assim com a Federação Russa.
Já o cenário mais assustador, na perspetiva ocidental, é um possível ataque a Kiev. De acordo com as estimativas do Pentágono, as forças russas concentradas na parte norte da fronteira com a Ucrânia podem não ser suficientes para tomar o poder. Mas Putin pode ordenar um ataque híbrido. Ou seja, se inutilizar a rede de aquecimento doméstico e as comunicações, facilmente se instauraria o caos na capital ucraniana. E nesse caso, será expetável que os pró-russos se multipliquem em manobras no parlamento local, tudo para derrubar o governo de Volodymyr Zelensky e pedir “paz” com Moscovo, Além disso, a partir do final de fevereiro, os russos podem optar tomar outras cidades do nordeste do país e, a partir daí, avançarem em direção a Kiev.
Há ainda uma outra possibilidade e que passa pelo controlo do mar de Azov, pequena região ao norte do mar Negro, que tem ao norte a Ucrânia, a leste a Rússia e ao oeste a península da Crimeia. Será a forma de privar a Ucrânia de um importante ponto comercial, mas também de resolver problemas de abastecimento na Crimeia, até agora conectada a Moscovo apenas por uma ponte terrestre e outra ferroviária. Caso seja a opção, será uma forma de entalar as forças ucranianas, entre inimigos vindos do norte (Donbass) e do sul (Crimeia).
Há ainda uma quarta possibilidade, reconhecem os responsáveis americanos, embora mais dispendiosa. Ainda assim, especificam, a ofensiva russa pode ainda optar por partir do Mar Negro, com Putin a contar com o apoio da Base Militar Naval de Sebastopol, na Crimeia, tudo para alcançar Odessa. Considerada historicamente a “mãe da nação russa”, aquela cidade ucraniana também é um importante centro da economia do país, já que cerca de 50 por cento das importações e exportações do país passam pelo seu porto. Desde 2014, que a sua população vive num estado de ansiedade e, teme-se, a pressão da frota russa pode mesmo levar ao seu colapso. E isso explica que a NATO esteja empenhada em transportar unidades de combate para o Mar Negro, de forma a tentar neutralizar ataques terrestres que possam partir da Crimeia tal como possíveis ataques cibernéticos. .








