Os responsáveis das principais estações de televisão russas estão a receber proteção reforçada das forças de segurança devido ao receio de potenciais ataques ucranianos, segundo informações divulgadas pelo meio independente russo ‘Agentstvo’ e citadas pelo ‘Kyiv Post’.
A medida terá partido de Viktor Zolotov, diretor da Rosgvardia, a Guarda Nacional da Rússia, e representa uma expansão significativa da proteção que já era concedida a algumas das figuras mais conhecidas da máquina mediática do Kremlin desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia.
Agora, segundo quatro fontes citadas pelo ‘Agentstvo’, a escolta estará a chegar a praticamente todos os altos responsáveis das principais televisões federais russas — e até a alguns apresentadores.
Protegidos — e permanentemente vigiados
Um funcionário de um canal federal russo contou ao ‘Agentstvo’ que agentes da Rosgvardia acompanham atualmente quase todos os principais dirigentes das estações de televisão.
Mas nem todos estarão satisfeitos com a nova proteção.
Alguns responsáveis encaram a presença permanente dos agentes não apenas como uma medida destinada a garantir a sua segurança, mas também como uma forma de vigilância constante por parte das forças do Estado.
As medidas terão sido igualmente alargadas aos apresentadores.
Uma das fontes citadas pelo ‘Agentstvo’ relata que um apresentador apareceu recentemente numa festa de aniversário em Moscovo acompanhado por um veículo de segurança.
Outra fonte próxima das chefias dos meios de propaganda russos explicou que já anteriormente alguns altos responsáveis eram ocasionalmente acompanhados por agentes da Rosgvardia. A diferença é que essa presença se tornou agora muito mais visível e sistemática.
Propagandistas já foram alvo de ataques
O reforço não surge do nada.
A segurança em torno das figuras mais conhecidas dos meios russos favoráveis à guerra começou a aumentar durante os primeiros meses da invasão em larga escala da Ucrânia, embora inicialmente estivesse concentrada num pequeno grupo de personalidades de grande exposição pública.
Margarita Simonyan, diretora da RT, reconheceu publicamente ter recebido proteção adicional depois da morte de Darya Dugina, filha do ideólogo ultranacionalista russo Alexander Dugin.
Dugina morreu em agosto de 2022, depois da explosão de uma bomba colocada num automóvel na região de Moscovo.
Em abril de 2023, o blogger militar pró-guerra Vladlen Tatarsky, cujo nome verdadeiro era Maxim Fomin, morreu na explosão de uma bomba num café em São Petersburgo.
Um mês depois, outro explosivo atingiu o automóvel do escritor e apoiante da guerra Zakhar Prilepin. O escritor ficou gravemente ferido e o seu motorista morreu.
Moscovo diz já ter travado outras tentativas
Os serviços de segurança russos afirmaram também, ao longo dos últimos anos, ter impedido alegados planos de assassinato contra algumas das figuras mais conhecidas dos meios de comunicação estatais.
Entre os nomes referidos pelas autoridades russas encontram-se Margarita Simonyan, Vladimir Solovyov, Olga Skabeyeva e Dmitry Kiselyov.
As alegações das autoridades russas sobre essas tentativas nem sempre puderam ser verificadas de forma independente.
A novidade agora relatada pelo ‘Agentstvo’ é a dimensão da proteção: deixa de estar concentrada apenas nas figuras mediáticas mais expostas e passa a abranger um grupo mais vasto de dirigentes e apresentadores.
Drones aumentam sensação de vulnerabilidade
O reforço acontece também num momento em que a Ucrânia tem demonstrado capacidade crescente para realizar ataques a longa distância dentro da Rússia.
Kiev tem utilizado drones para atingir instalações militares, industriais e energéticas a centenas de quilómetros da fronteira, incluindo alvos na região de Moscovo.
A própria madrugada desta quinta-feira voltou a mostrar essa capacidade, com drones a chegarem à região da capital russa e a provocarem incidentes em diferentes localidades.
Isso não significa, porém, que existam planos conhecidos da Ucrânia para atacar os dirigentes das televisões agora colocados sob proteção.
O que o relato do ‘Agentstvo’ revela é o aumento da preocupação dentro da própria Rússia: depois de vários ataques contra figuras públicas favoráveis à guerra e à medida que drones ucranianos conseguem penetrar cada vez mais profundamente no território russo, Moscovo decidiu aumentar a segurança em torno de quem ocupa alguns dos lugares mais importantes da sua máquina mediática.
E para alguns desses responsáveis, a solução trouxe um desconforto adicional: os homens destacados para os proteger são também os homens que passam a saber permanentemente onde estão.


















