O resultado dos referendos realizados nas quatro regiões ocupadas da Ucrânia não está em dúvida – também por isso a comunidade internacional automaticamente assumiu ser uma “farsa”. No entanto, o governador ucraniano da região de Lugansk, agora no exílio, Sergey Gaidai, acusou esta sexta-feira a Rússia de utilizar grupos armados para forçar as pessoas a votar nos referendos.
“Os ocupantes russos organizaram grupos armados para cercar as casas e forçar as pessoas a participar no chamado ‘referendo'”, denunciou o responsável, em declarações ao jornal britânico ‘The Guardian’, referindo haver ameaças aos cidadãos. “Aqueles que não participarem na votação serão automaticamente despedidos dos seus empregos.” Garantiu ainda que as autoridades russas proibiram a população local de deixar as cidades entre 23 e 27 de setembro.
Moscovo já defendeu, no entanto, que os referendos nas autoproclamadas Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk e outros territórios cumprem os padrões internacionais e a Carta da ONU. “Os moradores dos outros territórios libertados têm esse direito, um direito legal. E na situação atual é o direito à vida”, avançou a presidente do Conselho da Federação Russa, Valentina Matviyenko.
Foram abertas assembleias de voto em várias cidades russas dedicados aos refugiados. A Comissão Eleitoral Central de Kherson prevê que cerca de 750 mil pessoas vão participar no referendo, com cerca de meio milhões de pessoas registadas como eleitores na região de Zaporizhia – 394 assembleias de voto foram estabelecidas na região e outras 102 na Rússia. Em Donetsk, foram impressas 1,5 milhões de células de referendo – estão disponíveis 450 assembleias ede voto e outras 200 na Rússia para os refugiados.
“Por razões de segurança”, nos quatro dias do referendo, a população das quatro regiões será convidada a votar perto das respetivas casas, e não nas assembleias de voto, ou será conduzida à volta das casas dos cidadãos.



