Elementos do Movimento Armilar Lusitano, acusados pelo Ministério Público de criarem um grupo terrorista neonazi, terão equacionado um atentado contra o primeiro-ministro, Luís Montenegro. O ‘Correio da Manhã’ revela que a investigação recolheu conversas e documentos que apontam para um levantamento prévio da morada e das rotinas do chefe do Governo.
Segundo a acusação do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, os membros do grupo terão discutido diferentes hipóteses de ataque, incluindo o arremesso de uma granada para o interior da casa de Luís Montenegro, em Lisboa. A possibilidade de sequestro também terá sido considerada, mas acabou por ser afastada nas conversas recolhidas pelos investigadores.
O processo refere que Bruno Gonçalves, agente da PSP atualmente em prisão preventiva, terá obtido a morada completa de Luís Montenegro através do sistema da Polícia Municipal de Lisboa, onde estava colocado. De acordo com a acusação, o agente terá depois partilhado esses dados com outros membros do Movimento Armilar Lusitano.
A acusação cita uma mensagem em que o suspeito terá escrito: “Consegui a morada de um certo atual primeiro-ministro, aquele conhecido pelo Monstro Negro”. Noutra conversa, os membros do grupo terão afastado a hipótese de sequestro, mas admitido a possibilidade de disparar “uma granada de 37mm” através de uma janela para o interior da casa do primeiro-ministro.
Luís Montenegro não seria o único alvo político identificado. Segundo o ‘Correio da Manhã’, o primeiro-ministro integrava uma lista de personalidades sobre as quais os membros do grupo terão “catalogado e/ou recolhido informações”, considerando-as “ameaças ou alvos”.
Essa lista incluiria nomes como Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa, Cavaco Silva, Francisco Pinto Balsemão, Rui Tavares, Ricardo Sá Fernandes, Mariana Mortágua e Miguel Sousa Tavares, entre outras figuras públicas e políticas.
Os principais suspeitos foram acusados de liderar um grupo terrorista e de recrutamento de membros para essa estrutura. A acusação envolve quatro suspeitos em prisão preventiva e mais cinco arguidos.
O Movimento Armilar Lusitano foi desmantelado em junho do ano passado pela Unidade Nacional Contra Terrorismo da Polícia Judiciária, numa operação que levou à detenção dos seus principais responsáveis.
O caso assume particular relevância por se tratar, segundo a notícia, da primeira acusação a um grupo exclusivamente português por terrorismo desde o processo das FP-25. O decreto acusatório segue agora os trâmites judiciais, cabendo ao tribunal apreciar os factos imputados aos arguidos.













