Grupo mercenário Wagner anuncia retirada do Mali “após missão cumprida”

Anúncio surgiu após uma série de ataques nas últimas semanas que, segundo os insurgentes, mataram mais de 100 soldados malianos, além de alguns mercenários

Francisco Laranjeira

O grupo mercenário russo Wagner anunciou esta sexta-feira que estava a deixar o Mali, depois de três anos e meio de luta contra os militantes islâmico: de acordo com os paramilitares, a missão no país africano foi concluída com sucesso.

O grupo mercenário disse, no seu canal do ‘Telegram’, que tinha colocado todos os centros regionais do país de volto ao controlo da junta militar do Mali, expulsando as forças islâmicas e matando os seus comandantes. No entanto, os Wagner não disseram o que fariam os seus combatentes quando regressassem à Rússia.



O anúncio surgiu após uma série de ataques nas últimas semanas que, segundo os insurgentes, mataram mais de 100 soldados malianos, além de alguns mercenários.

Jama’a Nusrat ul-Islam wa al-Muslimin (JNIM), um grupo insurgente da região do Sahel, na África Ocidental, assumiu a responsabilidade pela violência dos últimos dias, incluindo um ataque bombista na passada quarta-feira contra soldados malianos e russos perto de Bamako.

Wagner está no Mali desde que o exército, que tomou o poder em dois golpes de Estado em 2020 e 2021, expulsou as tropas francesas e da ONU que estiveram envolvidas no combate aos insurgentes islâmicos durante uma década, tendo substituído por mercenários russos.

A retirada de Wagner do Mali não significa, no entanto, que o país da África Ocidental fique sem combatentes russos. O Africa Corps ainda está no Mali. A Rússia tem tentado acabar com a mobilização do Wagner no Mali para o substituir pelo Africa Corps, disse à ‘Reuters’ Ulf Laessing, responsável pelo programa do Sahel na Fundação Konrad Adenauer da Alemanha. “A tomada do Africa Corps significa que o envolvimento militar russo no Mali vai continuar, mas o foco pode mudar mais para o treino e fornecimento de equipamento e menos para o combate real aos jihadistas”, disse.

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