O grupo alimentar DIA fechou o ano de 2022 com um prejuízo de 124 milhões de euros, uma redução de 51,9% face ao ano anterior, informou hoje a Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV).
Em 2022, um ano marcado pela inflação nos quatro mercados em que a empresa opera – Espanha, Portugal, Brasil e Argentina – as vendas aumentaram 9,6% (+5,7% em dados homólogos) e o EBITDA (resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) ajustado atingiu 200 milhões, um aumento de 61,2%.
O endividamento financeiro líquido aumentou 35%, para 544 milhões de euros, fundamentalmente como consequência do esforço de investimento feito durante o ano, precisou a empresa no relatório enviado à CNMV.
Ainda assim, o grupo DIA tem apontado como outro dos marcos do ano o “avanço da desalavancagem”, uma vez que o aumento da dívida financeira devido aos investimentos foi compensado, em menor medida, pelo ‘cash flow’ positivo das operações e pela melhoria do capital circulante.
Em relação aos números operacionais, no final de 2022 o grupo contava com 5.699 lojas, 4% menos que há um ano, já que a maioria (52%) são ‘franchisadas’. Além disso, mais de mil estabelecimentos foram alvo de obras.
Com estas reformas e as novas aberturas, 88% da rede de proximidade em Espanha e 55% da rede na Argentina está totalmente transformada, esperando o grupo concluir o processo de remodelação em 2023.
Segundo a empresa, o exercício de 2022 confirmou a mudança na tendência dos negócios, com “uma melhoria em todas as variáveis operacionais e financeiras”.
No âmbito da sua estratégia de proximidade, o grupo anunciou no verão a venda de 235 supermercados e um armazém à empresa Alcampo por 267 milhões de euros, uma vez que estas unidades “não cabiam” em Espanha, onde o objetivo é ter um único formato de superfície comercial de cerca de 400 metros quadrados.
O segundo grande marco da empresa em 2022, já em dezembro, foi a operação de alienação das 1.015 lojas da marca de produtos de beleza Clarel e de três centros de distribuição, negócio que foi adquirido pela empresa C2 Private Capital S.L., numa operação com fundos totais de 60 milhões de euros.
Para o grupo DIA, a sua proposta de valor de proximidade “tem-se revelado a mais acertada”, sobretudo numa conjuntura macroeconómica como a atual, sendo a inflação um dos fatores que mais marcou o ano.
Outro dos eixos de transformação tem sido a reformulação da sua marca própria. Só em Espanha, juntou 690 produtos ‘New Dia Quality”, o que elevou a 52,6% o peso dos produtos de marca própria no cabaz de compras, um valor que aumentou quase quatro pontos percentuais.
O presidente não executivo do Grupo DIA, Stephan DuCharme, afirmou em comunicado que “o esforço dos últimos três anos serviu para consolidar uma evolução positiva do negócio, suportada numa estrutura de capital sólida e sustentável e com o apoio e visão indústria do acionista majoritário”.
Por sua vez, o CEO do Grupo DIA, Martín Tolcachir, destacou que após “o profundo redirecionamento do negócio”, iniciado em 2019, a empresa está “no final do processo de ‘turnaround’”.
Destacou ainda que em Espanha o grupo conquistou ‘market share’ e, na Argentina, com um desempenho das lojas reformadas 18% acima das que não sofreram obras, também avançou na liderança na área da Grande Buenos Aires.













