Grupo de WhatsApp com imagens de mulheres leva à suspensão de condutores de elétricos em Milão

Pelo menos uma pessoa está sob investigação por suspeitas de acesso não autorizado a um sistema informático e de pirataria do sistema de videovigilância, com o objetivo de recolher imagens de mulheres que viajavam nos transportes públicos de Milão

Francisco Laranjeira

Um grupo de condutores de elétricos em Milão foi suspenso no âmbito de uma investigação a um grupo de WhatsApp onde eram alegadamente partilhadas imagens de passageiras dos transportes públicos, acompanhadas por comentários misóginos. O ‘The Guardian’ avança que as imagens terão sido obtidas através de câmaras de videovigilância instaladas nos elétricos da cidade.

Pelo menos uma pessoa está sob investigação por suspeitas de acesso não autorizado a um sistema informático e de pirataria do sistema de videovigilância, com o objetivo de recolher imagens de mulheres que viajavam nos transportes públicos de Milão.

De acordo com a investigação, os motoristas terão acedido a imagens captadas pelas câmaras instaladas nos veículos e partilhado esses registos num grupo de WhatsApp. As fotografias mostravam, em particular, pernas, rostos, seios ou coxas de passageiras, sendo depois comentadas pelos elementos do grupo.

Na sequência do caso, foram realizadas buscas nas casas de cinco trabalhadores. As autoridades solicitaram também a apreensão de telemóveis e outros dispositivos tecnológicos, para apurar a origem das imagens, a forma como foram obtidas e a eventual participação de outros suspeitos.

A ATM, empresa responsável pelo transporte público em Milão, afirmou que “agiu rapidamente e com a máxima atenção para clarificar o episódio, verificar o uso adequado de ferramentas da empresa, proteger consumidores e os milhares de trabalhadores que atuam corretamente todos os dias a servir a cidade”.

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O caso terá sido descoberto por uma passageira que viu um condutor a interagir no grupo de WhatsApp. Ao perceber que as imagens enviadas na aplicação pareciam ter sido retiradas de câmaras de videovigilância, a mulher fotografou a situação e contactou uma ativista feminista, que denunciou o caso à ATM.

Segundo o ‘The Guardian’, a denúncia deu origem à investigação interna e à posterior intervenção das autoridades. O caso tornou-se público e levou também a uma reação sindical, com dirigentes a sublinharem que o “respeito pela dignidade humana e pela igualdade de género são valores essenciais”.

A investigação levanta questões sobre privacidade, segurança no transporte público e controlo do acesso às imagens captadas por sistemas de videovigilância. Em causa está não apenas a alegada conduta dos trabalhadores envolvidos, mas também a forma como imagens recolhidas para fins de segurança podem ter sido usadas para expor e humilhar passageiras.

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O processo segue agora com a análise dos dispositivos apreendidos e com a identificação de eventuais responsabilidades disciplinares e criminais. Para já, a empresa suspendeu os trabalhadores envolvidos enquanto decorrem as diligências.

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