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Groundlink volta a ameaçar trabalhadores com despedimento coletivo

A GroundLink, que presta serviços de operações em terra para a Ryanair, ameaçou novamente avançar para despedimento coletivo, caso não consiga acordos com trabalhadores para redução de horário, ou atingir mínimos de rescisões de contratos.

Numa comunicação aos trabalhadores a que a Lusa teve acesso, a Groundlink agradece “ao elevado número de trabalhadores que se manifestaram enviando as opções que se adequam à sua realidade pessoal”, no seguimento do pedido para escolherem entre duas situações, mas reitera que “no caso de não se conseguir chegar a um acordo para redução do período normal de trabalho, ou atingir os mínimos acordos para cessação de contratos, a empresa terá que ponderar o despedimento coletivo como medida de subsistência da mesma”.

Em setembro, a GroundLing III Handling pediu aos trabalhadores que optassem entre duas situações, que justificava como uma “medida de subsistência” da empresa: redução do período normal de trabalho em 40% com correspondente redução de vencimento, ou acordos de cessação do contrato de trabalho.

“São tempos particularmente desafiantes os que vivemos a todos os níveis. Mas somos resilientes e queremos continuar a lutar, todos juntos, para ultrapassar esta situação”, refere agora a empresa na comunicação.

A empresa de ‘handling’ diz estar a aguardar a publicação da recente atualização relativa ao apoio extraordinário à retoma progressiva da atividade em empresas em dificuldades.

“Pedimos a compreensão de toda a estrutura pois ainda nos encontramos também a analisar todas as respostas e a realizar os respetivos cálculos de viabilidade”, lê-se ainda no documento.

Em setembro, a Groundlink comunicou aos trabalhadores que, devido aos efeitos da pandemia de covid-19 no setor da aviação, que está a provocar uma reduzida procura de voos, já tinha sido informada de que os seus serviços iam ser reduzidos em 40% a 50%.

“Como podem antecipar é impossível à empresa manter a sua atividade inalterada no atual ambiente”, apontou na altura.

A GroundLink lamentou ter de transmitir “notícias tão dramáticas” aos seus trabalhadores, numa “altura tão delicada”, mas reiterou estar a pensar na subsistência da empresa.

“Com o intuito de tentar evitar um grande número de despedimentos, vemo-nos obrigados a tentar encontrar medidas de redução de custos significativas”, justificou-se.

Os trabalhadores tinham até 20 de setembro para enviar as suas manifestações de interesse, relativamente às duas opções apresentadas.

Contactado pela agência Lusa, Fernando Simões, dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC) afirmou, naquela ocasião, acreditar que cartas tenham sido enviadas à maioria, senão a todos os trabalhadores da empresa, que, atualmente, apenas presta serviços à companhia aérea irlandesa Ryanair.

No universo das duas empresas – GroundLink e Ryanair – o sindicato crê que estejam abrangidos por esta medida mais de 1.500 trabalhadores.

Quanto à medida, o dirigente sindical considerou “absolutamente incomportável” que um trabalhador aceite uma redução de 40% do seu ordenado, ficando, em muitos casos, a ganhar o ordenado mínimo (635 euros), ou mesmo abaixo desse valor.

O sindicato apontou ainda várias críticas à Ryanair, que classificou de empresa “sanguessuga”, por usufruir de apoios governamentais em vários países onde opera, mas “descartar” os trabalhadores em tempos difíceis.

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