Gronelândia: da proposta de compra de Truman à ameaça militar de Trump, passo a passo

Escalada mais recente culminou, já em janeiro de 2026, na admissão de que Washington não exclui o uso da força para controlar o território autónomo dinamarquês

Francisco Laranjeira

O interesse dos Estados Unidos pela Gronelândia voltou a ganhar intensidade com o regresso de Donald Trump à Casa Branca, evoluindo de declarações políticas para ameaças explícitas que colocaram a Europa em alerta. A escalada mais recente culminou, já em janeiro de 2026, na admissão de que Washington não exclui o uso da força para controlar o território autónomo dinamarquês.

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A Gronelândia, situada entre os oceanos Atlântico e Ártico, lembrou o site ’20Minutos’, tem cerca de um quarto do seu território permanentemente coberto por gelo, mas concentra recursos minerais estratégicos, incluindo terras raras. Com apenas 56 mil habitantes, a ilha é vista como um ativo geopolítico crescente à medida que o degelo do Ártico avança.

Um interesse antigo que regressa em força

O interesse americano pela Gronelândia remonta ao século XIX. Em 1867, durante a presidência de Andrew Johnson, um relatório já apontava a localização estratégica e os recursos naturais da ilha como razões para uma eventual aquisição. Em 1941, em plena II Guerra Mundial, os EUA garantiram direitos militares alargados no território, culminando mais tarde na construção da Base Aérea de Thule, peça-chave durante a Guerra Fria. Em 1946, o então presidente Harry Truman chegou a oferecer 100 milhões de dólares à Dinamarca pela ilha.

Décadas depois, o tema regressou ao centro do debate político com Donald Trump. Em agosto de 2019, durante o seu primeiro mandato, veio a público o interesse do então presidente em comprar a Gronelândia, ideia rapidamente rejeitada por Copenhaga, com a primeira-ministra Mette Frederiksen a afirmar que a ilha “não está à venda”.

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Do regresso à Casa Branca à escalada diplomática

A cronologia recente acelera a partir do final de 2024. Em dezembro desse ano, Trump, já eleito para um segundo mandato, classificou a posse e o controlo da Gronelândia como uma “necessidade absoluta” para a segurança nacional dos EUA. Em janeiro de 2025, uma visita privada de Donald Trump Jr. à ilha e declarações ambíguas das autoridades locais abriram um novo ciclo de incerteza.

Ao longo de 2025, sucederam-se episódios de tensão. Uma sondagem revelou que 85% da população da Gronelândia rejeita abandonar a Dinamarca. Apesar disso, Trump convidou publicamente os gronelandeses a juntarem-se aos EUA, prometendo investimentos massivos. A Dinamarca respondeu com sucessivas chamadas de atenção diplomáticas, incluindo a convocação de representantes americanos por suspeitas de espionagem e tentativas de influência da opinião pública.

No final do ano, Trump deu um passo adicional ao nomear um enviado especial para trabalhar a integração da Gronelândia nos EUA, reiterando pouco depois que o território era essencial por razões de segurança nacional.

2026 abre com ameaças explícitas

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Já em janeiro de 2026, a situação agravou-se. A primeira-ministra dinamarquesa pediu publicamente a Washington que cessasse as ameaças, enquanto a Comissão Europeia e vários Governos europeus manifestaram apoio explícito à Dinamarca. Poucos dias depois, a Casa Branca confirmou que Trump não exclui recorrer às forças armadas e mantém em cima da mesa a possibilidade de comprar a Gronelândia, de acordo com o 20Minutos.

As declarações provocaram uma reação concertada de vários países europeus, que sublinharam a inviolabilidade da soberania dinamarquesa e alertaram para as implicações geopolíticas de qualquer tentativa de anexação.

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