Metro de Lisboa pode parar a 11 de dezembro: trabalhadores preparam greve geral em clima de revolta

O Metropolitano de Lisboa realizou esta quarta-feira à tarde um plenário alargado de trabalhadores para discutir os objetivos reivindicativos e a preparação da greve geral marcada para 11 de dezembro, uma paralisação que promete ter impacto nacional e envolver setores de todo o País.

Pedro Gonçalves
Dezembro 3, 2025
16:34

O Metropolitano de Lisboa realizou esta quarta-feira à tarde um plenário alargado de trabalhadores para discutir os objetivos reivindicativos e a preparação da greve geral marcada para 11 de dezembro, uma paralisação que promete ter impacto nacional e envolver setores de todo o País. A sessão contou com a presença do secretário-geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira, num momento considerado estratégico para reforçar a mobilização no setor dos transportes.

Segundo adiantou fonte oficial da CGTP à Executive Digest, o encontro decorreu com forte envolvimento dos trabalhadores. A mesma fonte confirmou que “correu bem, o plenário foi bastante participado e o apelo à greve geral foi muito bem recebido por parte dos trabalhadores, pelo que se espera uma forte adesão”.

O plenário teve como objetivo central esclarecer dúvidas sobre o pacote laboral em discussão no âmbito da proposta governamental ‘Trabalho XXI’. A sessão antecede a greve geral convocada em conjunto pela CGTP e pela UGT, a primeira paralisação agregando as duas centrais desde junho de 2013, num contexto que os sindicatos classificam como um “ataque aos direitos laborais”.

STRUP confirma forte mobilização e revolta crescente entre trabalhadores
Em declarações exclusivas à Executive Digest, Anabela Carvalheira, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP), sublinhou que o plenário teve um caráter essencialmente informativo e correu de forma positiva. “Foi um plenário de esclarecimento dos trabalhadores sobre as principais matérias que estão em cima da mesa do pacote laboral e correu bem, os trabalhadores ficaram esclarecidos e penso que sim, que iremos ter uma forte mobilização no dia da greve geral”, afirmou.

Questionada sobre a receção ao apelo à greve, clarificou que este não partiu diretamente das estruturas sindicais nacionais, mas da articulação interna do setor. “Não foi da CGTP do STRUP, foi o STRUP que falou com todas as organizações sindicais do AE1, se estavam de acordo, pudéssemos convidar o secretário-geral da CGTP para vir fazer alguns esclarecimentos”, explicou, acrescentando que “estiveram de acordo, participaram no plenário, portanto, tudo tranquilo”.

A dirigente sindical não esconde que existe uma forte insatisfação no seio da empresa. Em resposta sobre o estado de espírito dos trabalhadores, afirmou: “Há um sentimento de revolta, sim”.

Expectativas de forte paralisação no Metro de Lisboa
A proximidade da greve geral aumenta a pressão sobre os serviços de transporte da capital, nomeadamente o Metropolitano de Lisboa. Para o dia 11 de dezembro, Anabela Carvalheira antecipa fortes perturbações: “É assim, a perspetiva que nós queremos é ter o metro parado, tendo em conta a gravidade das coisas que estão em cima da mesa e, portanto, os trabalhadores mostrem nesse dia o seu descontentamento”.

A sindicalista recorda ainda que as medidas previstas no pacote laboral têm impacto direto sobre o setor, nomeadamente no que diz ser um ataque à negociação coletiva. “Sim, é para uma greve muito forte, tendo em conta que tudo está em cima da mesa, é nefasto para os trabalhadores. Os trabalhadores, de uma forma geral, mas em algumas particularidades, também é muito nefasto para os trabalhadores do Metro no ataque à contratação coletiva”, reforçou.

Para o STRUP e demais estruturas sindicais envolvidas, a greve será um momento determinante para mostrar ao Governo que “os trabalhadores não estão contentes e não aceitam as alterações ao código de trabalho”.

Recorde-se que a paralisação surge como resposta ao anteprojeto ‘Trabalho XXI’, apresentado pelo Governo, e que tem sido contestado pelas centrais sindicais por considerar que representa um retrocesso nos direitos laborais. A CGTP afirma que a greve é “urgente, necessária e duradoura”, enquanto o Governo a considera “inoportuna” e “danosa”.

A greve geral terá a duração de 24 horas e será antecedida por marchas e concentrações, mobilizando milhares de trabalhadores de vários setores da economia. Tanto a CGTP como a UGT estimam que a adesão será significativa e que o País poderá enfrentar uma paralisação de grande escala.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.