A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) reúne-se este sábado, no Porto, para analisar o impasse negocial com o Governo, a situação crítica do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e eventuais novas formas de luta. O encontro decorre no Hotel Tuela Porto, entre as 10h00 e as 16h00, e será decisivo para definir a estratégia do sindicato nos próximos meses.
Entre os temas em discussão está a possibilidade de prolongar a greve ao trabalho suplementar nos cuidados de saúde primários, atualmente em vigor até ao final de março. A FNAM tem alertado para a degradação das condições laborais dos médicos e a crescente sobrecarga de trabalho, fatores que, segundo o sindicato, colocam em risco a qualidade dos serviços prestados à população.
Além disso, a estrutura sindical poderá discutir novas formas de protesto, caso o impasse negocial com o Governo se mantenha. A FNAM tem criticado duramente o Ministério da Saúde, acusando-o de não cumprir os procedimentos de negociação coletiva e de ignorar as reivindicações dos médicos.
O Conselho Nacional da FNAM acontece poucos dias depois de uma reunião com a Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), realizada a 28 de janeiro. O encontro foi solicitado pela FNAM no final de 2024, após o Governo ter interrompido o diálogo com o sindicato.
A estrutura sindical contesta a forma como o Ministério da Saúde tem conduzido as negociações, recordando que a última reunião oficial decorreu a 5 de julho de 2024. Nessa ocasião, o Governo adiou para 2025 a discussão das tabelas salariais, enquanto a FNAM exigia que esse processo fosse iniciado ainda em 2024.
Face à falta de avanços, a FNAM decidiu recorrer à DGERT para desbloquear as negociações e garantir que os médicos do SNS vejam as suas reivindicações discutidas e atendidas.
Outro tema incontornável na reunião do Conselho Nacional será o acordo assinado entre o Governo e o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) a 30 de dezembro. O entendimento prevê um aumento salarial médio de 10% até 2027, mas a FNAM considera que este acordo é insuficiente e não reflete as reais necessidades dos médicos do SNS.
O sindicato classificou o acordo como uma “traição” aos profissionais de saúde e reafirmou a sua posição de que a valorização salarial e a melhoria das condições de trabalho não podem ser adiadas.
Com um cenário de conflito cada vez mais acentuado, o Conselho Nacional da FNAM poderá definir novas ações para pressionar o Governo a retomar as negociações e garantir um acordo mais justo para os médicos do SNS.




