A Greenpeace acusou as multinacionais agrícolas americanas Cargill e Bunge e cumplicidade na desflorestação no Brasil, alegando que ambas têm relações com uma quinta em particular.
Segundo o relatório “Cultivando Violência”, divulgado esta semana, as duas maiores exportadores da soja produzida no cerrado brasileiro, «operam silos dentro dos limites da propriedade e compram soja directamente das suas plantações». A propriedade em questão é a Fazenda Estrondo em Formosa do Rio Preto, no estado da Bahia. De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, a a quinta nasceu da «apropriação ilegal de 444 mil hectares» de terras, incluindo uma parte do território de comunidades tradicionais.
A organização não-governamental acusa a Estrondo de «desflorestação ilegal», acrescentando que, em 2002, obteve «licenças de desmatamento na propriedade de forma fraudulenta». A Greenpeace também identificou, em Abril, uma colheita de soja «cultivada ilegalmente numa área embargada» pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).
«O facto de a Cargill e a Bunge manterem relações com a Estrondo é inaceitável, visto que existe uma série de irregularidades e episódios de violência», disse à agência “France Press” (AFP) Cristiane Mazzetti, responsável da Greenpeace no Brasil.
As duas multinacionais negam qualquer relação comercial com as sociedades proprietárias da Estrondo, alegando que «todas as compras de soja na área da Estrondo vêm de produtores arrendatários que adquiriram direitos legais de uso das terras». A Cargill assegurou à “AFP” que «não fornece e não fornecerá soja de agricultores que desmatam terras em áreas protegidas. Temos controlos para impedir que produtos não compatíveis entrem na nossa cadeia». Por sua vez, a Bunge defendeu igualmente que «não compra nem recebe grãos de áreas embargadas pelo IBAMA».







