Greenpeace acusa Boris Johnson de usar «dinheiro sujo» na campanha eleitoral

Em dia de eleições históricas no Reino Unido, o grupo ambientalista Greenpeace lançou suspeitas sobre o financiamento da campanha eleitoral dos conservadores, após ter acusado Boris Johnson de ter recebido um milhão de libras em «dinheiro sujo». 

Executive Digest

Em dia de eleições históricas no Reino Unido, o grupo ambientalista Greenpeace lançou suspeitas sobre o financiamento da campanha eleitoral dos conservadores, após ter acusado Boris Johnson de ter recebido um milhão de libras em «dinheiro sujo». 

Segundo o “The Independent”, os milhões foram transferidos por vários investidores em combustíveis fósseis, uma das principais causas para o agravamento das alterações climáticas. 

Agora, a Greenpeace teme que o Governo de Boris Johnson possa estar «em dívida» para com estas empresas, que ajudam a financiar as indústrias de carvão, petróleo e gás. «Os motivos por detrás dessas doações são desconhecidos, mas é preciso perceber se os interesses dos doadores podem moldar a resposta do futuro Governo à crise climática em que nos encontramos», afirma Doug Parr, da Greenpeace no Reino Unido, acrescentando que «os eleitores merecem saber quem está a apoiar estas campanhas eleitorais e, caso sejam eleitos, se poderão vir a receber tratamento preferencial por parte do Governo que ajudaram a financiar com dinheiro sujo». 

Em resposta, os conservadores defendem que todas as doações foram «devidamente transparentes e declaradas à Comissão Eleitoral», argumentando que «impulsionaram as energias renováveis para níveis recorde». E acrescentou: «Os conservadores reduziram em um quarto as emissões, a redução mais rápida de qualquer nação do G20, e impulsionaram as energias renováveis a níveis recorde». 

Já a ambientalista lembra que os conservadores aprovaram uma legislação para ter zero emissões de CO2 até 2050. Mas, até agora, não apresentaram quais medidas sobre como planeiam atingir esta meta ambiciosa.

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Quem doou dinheiro a Boris Johnson?

  • Jonathan Wood, cujo fundo de cobertura (ou hedge fund) SRM Global é um grande investidor na Rockhopper Exploration, uma empresa britânica de petróleo e gás com licenças offshore perto das Ilhas Falkland, na América do Sul: 500 mil libras
  • Shore Capital, um grupo de investimento que fechou recentemente negócios de petróleo e gás em África: 258 mil libras
  • James Adam Reuben, director do grupo Reuben Brothers Resources, uma filial da empresa de private equity RBR Mining, que investe em carvão, minério de ferro e metais, bem como em energia renovável (248mil libras)
  • Andrew Law, responsável pelo hedge fund Caxton Associates, que investiu 27 mihões del libras na Cheniere Energy, uma exportadora de gás de xisto dos Estados Unidos: 208.500 mil libras
  • Unatrac, um fornecedor de equipamentos para a indústria de petróleo e gás no Oriente Médio, Rússia e África: 75 mil libras
  • Pelham Capital Investments Ltd, uma empresa de gestão de investimentos com grandes participações em empresas petrolíferas que operam no Mar do Norte, no Mediterrâneo, no Médio Oriente e nos Estados Unidos: 50 mil libras

A Greenpeace acrescenta ainda que os liberais-democratas também receberam 135 mil libras das mãos de investidores em combustíveis fósseis.

Esta quinta-feira, 12 de Dezembro, os eleitores britânicos vão às urnas para eleger 650 deputados, numas eleições consideradas determinantes para o Brexit. O primeiro-ministro Boris Johnson já foi votar e fez-se acompanhar pelo seu cão. Já Jeremy Corbyn, líder dos trabalhistas, foi recebido por um Elmo, personagem da “Rua Sésamo”. 

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