A Grão Pará deixa oficialmente de estar cotada na bolsa de Lisboa esta quarta-feira, 19 de novembro, marcando o fim da presença da empresa mais antiga do mercado lisboeta, onde estava desde 1972. A saída ocorre um dia depois da última sessão de negociação e resulta da decisão tomada pela Euronext na sequência da declaração de insolvência da empresa.
A imobiliária comunicou à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que a exclusão foi determinada devido ao facto de a companhia ter sido declarada insolvente a 8 de setembro de 2025. Esta situação decorre de um processo iniciado no verão, quando, a 22 de agosto, a sociedade avançou com um pedido de insolvência no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, Juízo de Comércio, após deliberação dos acionistas tomada em assembleia-geral em 23 de julho.
A assembleia-geral que antecedeu o pedido de insolvência foi convocada pelo conselho de administração liderado por Abel Pinheiro. Na convocatória, o gestor avisava que a empresa “já não tinha qualquer atividade” e que apenas se mantinha operacional graças a empréstimos concedidos pelo próprio e pelos seus filhos, acumulando quase dois milhões de euros. O conselho sublinhava que esta situação não podia continuar.
A Grão Pará acumulava prejuízos há cerca de quinze anos. A única exceção ocorreu no exercício anterior, quando a reversão de uma imparidade permitiu à empresa encerrar o ano com lucros de 617,7 mil euros, segundo o comunicado enviado ao mercado.
Com a saída da Grão Pará, termina a presença em bolsa de uma empresa simbólica para o mercado português. Fundada por Fernanda Pires da Silva, a companhia teve um papel relevante no setor da construção e da promoção imobiliária, sendo responsável por empreendimentos marcantes, entre os quais o Autódromo do Estoril.
Apesar do percurso histórico, a empresa entrou numa trajetória de declínio prolongado, sem atividade operacional e dependente de financiamento interno, até à decisão final de avançar para a insolvência e consequente exclusão da Euronext.














