“Grandes empresas são o motor da economia portuguesa”: São apenas 1% e geram 71% de impostos, 62% de exportações e 57% do VAB

Um estudo apresentado esta segunda-feira mostra que, de 2016 a 2019, as grandes empresas obtiveram um Valor Acrescentado Bruto (VAB) a preços de mercado 10 vezes maior que uma empresa média e, em 2019, foram, em média, cerca de 3,7 vezes mais produtivas que as empresas de média dimensão.

André Manuel Mendes

Um estudo apresentado esta segunda-feira mostra que, de 2016 a 2019, as grandes empresas obtiveram um Valor Acrescentado Bruto (VAB) a preços de mercado 10 vezes maior que uma empresa média e, em 2019, foram, em média, cerca de 3,7 vezes mais produtivas que as empresas de média dimensão.

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O estudo desenvolvido pela NOVA Information Management School (NOVA IMS), em conjunto com a Associação Business Roundtable Portugal (Associação BRP), mostra que se no ano de 2019 tivessem surgido 150 novas grandes empresas, estas teriam contribuído para mais 4% do VAB nacional, mais 5% de receita fiscal e mais 10% de exportações.

O estudo “Análise prospetiva do impacto do crescimento das grandes empresas em Portugal” conclui, assim, que apenas 1% das grandes empresas em Portugal geram 57% do VAB e 71% dos impostos, ou seja, são o “principal motor da economia e imprescindível para estimular o crescimento do país”.

“Se nos focarmos apenas em 1% do total das empresas em Portuga – percentagem onde se inserem as 1.291 grandes empresas contabilizadas em 2019 – facilmente percebemos o forte impacto que as organizações de grande dimensão têm, tanto a nível económico, como dos trabalhadores e do próprio Estado. Estamos a falar de 57% do VABpm, 62% nas exportações, 48% nos gastos com o pessoal, 64% nas contribuições para a Segurança Social, e 71% em impostos, muito mais que os restantes 99% constituídos por pequenas e médias empresas”, explica Bruno Damásio, professor Auxiliar da NOVA IMS e investigador responsável por este estudo.

As grandes empresas são também as que pagam melhores salários. Estas gastaram, em média, 30.900 euros por trabalhador, mais 30% do que as médias e mais 70% do que as pequenas.

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“A pergunta que se impõe é: perante estes números, qual não seria o impacto se existissem 2, 3 ou 4 vezes mais grandes empresas no nosso país? Estaríamos a falar de um contributo bastante significativo para o crescimento de Portugal, permitindo-nos competir com outros mercados altamente competitivos”, diz António Rios Amorim, CEO da Corticeira Amorim e Vice-presidente e líder do Grupo de Trabalho Empresas da Associação BRP.

O executivo alerta ainda que “precisamos urgentemente de agir. Portugal atravessa neste momento um cenário de défice de produtividade, perante o qual a percentagem inferior a 1% de grandes empresas na nossa economia não chega para estimular o crescimento que o país necessita”.

Já Vasco de Mello, Presidente da Associação BRP e Presidente do Grupo José de Mello, acrescenta que a associação, como o apoio dos 42 associados e vários parceiros, tem vindo a “desenvolver propostas de soluções para aqueles que são os principais deságios ao crescimento das empresas e do país: queremos mais pessoas qualificadas.

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