Grande maioria dos ucranianos rejeita concessões importantes para a paz, revela sondagem

Ucrânia procurou resistir ao plano original apoiado pelos EUA, que foi considerado por Kiev e pelos aliados europeus, favorável a Moscovo

Francisco Laranjeira

Três quartos dos ucranianos rejeitaram concessões importantes em qualquer acordo de paz, apontou esta segunda-feira o Instituto de Pesquisa de Kiev, que destacou o desafio que enfrenta Volodymyr Zelensky ao negociar, sob pressão da Casa Branca, um compromisso para encerrar a guerra com a Rússia.

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Recorde-se que a Ucrânia procurou resistir ao plano original apoiado pelos EUA, que foi considerado por Kiev e pelos aliados europeus, favorável a Moscovo, que exige que Kiev abra mão de toda a sua região oriental de Donbass e restrinja significativamente as suas capacidades militares.

A sondagem, realizada pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev, revelou que 72% dos ucranianos estavam dispostos a aceitar um acordo que congelasse a atual linha de frente e incluísse algumas concessões. No entanto, 75% acreditavam que um plano favorável à Rússia que incluísse a Ucrânia a ceder território ou a limitar o tamanho do seu exército sem receber garantias de segurança claras era “completamente inaceitável”.

O diretor executivo do KIIS, Anton Hrushetskyi, disse que a opinião pública sobre o assunto permaneceu estável nos últimos meses, mesmo perante a crescente pressão dos EUA: 63% dos ucranianos estavam dispostos a continuar a lutar, e apenas 9% acreditavam que a guerra terminaria no início de 2026.

O presidente dos EUA, Donald Trump, pressionou a Ucrânia para que garantisse rapidamente a paz na guerra que já dura quase quatro anos, enquanto o exército russo, maior e mais bem armado, avança no campo de batalha. Kiev e seus aliados europeus procuram garantias de segurança de Washington como parte de qualquer acordo, e Zelensky afirmou este domingo que a Ucrânia abriria mão das suas ambições de ingressar na NATO em troca.

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No entanto, revelou a sondagem, apenas 21% dos ucranianos confiam em Washington – uma queda em relação aos 41% registados em dezembro passado. A confiança na NATO também caiu de 43% para 34% no mesmo período. “Se as garantias de segurança não forem inequívocas e vinculativas… os ucranianos não confiarão nelas, e isso afetará a disposição geral de aprovar o plano de paz correspondente”, escreveu Hrushetskyi.

Trump também renovou o seu apelo por eleições na Ucrânia, o que é proibido pela lei marcial. Zelenskiy, cujo primeiro mandato expirou no ano passado, sinalizou este mês que estaria aberto a um novo ato eleitoral se os EUA pudessem assumir a liderança na garantia da segurança. No entanto, apenas 9% dos ucranianos queriam eleições antes do fim dos combates, segundo a pesquisa do KIIS.

A confiança em Zelensky provavelmente caiu após um grande escândalo de corrupção no mês passado, mas agora está de volta a 61% após a demissão do seu principal assessor e a nova pressão dos EUA, disse Hrushetskyi. “Portanto, a insistência em realizar eleições na Ucrânia é vista com maus olhos pelo público e considerada uma tentativa de enfraquecer o país”, concluiu.

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