Grande Barreira de Corais enfrenta terceiro maior branqueamento dos últimos cinco anos

A Grande Barreira de Corais, localizada na costa australiana, enfrenta agora o terceiro maior branqueamento dos últimos cinco anos, de acordo com Terry Hughes, cientista e professor, que realizou diversos estudos aéreos em centenas de recifes de corais, avança o ‘The Guardian’.

«Sabemos que este é um branqueamento em massa e é grave», afirma Hughes ao ‘The Guardian’, numa altura em que faltavam três dias para terminar o seu estudo, que considera «fundamentais» para realizar uma análise mais completa.

Hughes, que é também director do Centro de Estudos de Recifes de Coral, da Universidade James Cook, refere: «Sabemos agora que este branqueamento é mais grave do que aquele que aconteceu em 1998 e 2002. Em relação a 2016 e 2017, ainda não temos certeza».

Este fenómeno deriva da exposição, por longos períodos de tempo, dos corais, a águas cuja temperatura está acima da média, fazendo com que a cor se desvaneça, podendo tornar-se mesmo translúcida.

Em causa está o aquecimento global originado por gases de efeito estufa na atmosfera, que constitui uma grande ameaça aos ecossistemas de recifes de coral do mundo inteiro.

O Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas refere que a maioria dos recifes de corais tropicais tende a desaparecer, mesmo que o aquecimento global seja limitado a 1,5 graus, correndo um «risco muito elevado» se a temperatura for de 1,2 graus. O mundo aqueceu cerca de um grau, desde a revolução industrial.

Nem todos os corais morrem, alguns perdem a cor quando se encontram durante muito tempo em águas extraordinariamente quentes, podendo voltar a recuperar caso a temperaturas baixem.

Hughes descobriu durante o estudo, que em zonas centrais dos recifes existem níveis extensos de branqueamento, «comparáveis a 2017», estimando-se que cerca de 22% dos corais de águas superficiais estejam mortos.

Já Tracey Ainsworth, professora do centro de ciência e inovação marinha da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, refere que os recifes em águas mais profundas foram menos afectados, em contrapartida o impacto nas zonas superficiais das lagoas, foi de 100%.

Por sua vez, Richard Leck, chefe de oceanos do grupo ambiental australiano WWF, considera que a única forma de proteger os recifes é mesmo limitar o aquecimento global a 1,5 graus. «É necessário estabelecer uma meta de 1.5 graus e um plano realista para conseguirmos cumpri-la», disse citado pelo ‘The Guardian’.

Recorde-se que já no final do mês de Fevereiro a ‘Executive Digest’ tinha noticiado a possibilidade desta Grande Barreira de Corais, vir a enfrentar o terceiro maior branqueamento dos últimos cinco anos, facto que agora se confirma.

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