Grande Barreira de Corais enfrenta terceiro maior branqueamento dos últimos cinco anos

Um cientista de renome, refere que grandes quantidades de recifes de corais foram afectados por este fenómeno, originando uma situação «grave».

Simone Silva

A Grande Barreira de Corais, localizada na costa australiana, enfrenta agora o terceiro maior branqueamento dos últimos cinco anos, de acordo com Terry Hughes, cientista e professor, que realizou diversos estudos aéreos em centenas de recifes de corais, avança o ‘The Guardian’.

«Sabemos que este é um branqueamento em massa e é grave», afirma Hughes ao ‘The Guardian’, numa altura em que faltavam três dias para terminar o seu estudo, que considera «fundamentais» para realizar uma análise mais completa.

https://twitter.com/ProfTerryHughes/status/1242023583733272577

Hughes, que é também director do Centro de Estudos de Recifes de Coral, da Universidade James Cook, refere: «Sabemos agora que este branqueamento é mais grave do que aquele que aconteceu em 1998 e 2002. Em relação a 2016 e 2017, ainda não temos certeza».

Este fenómeno deriva da exposição, por longos períodos de tempo, dos corais, a águas cuja temperatura está acima da média, fazendo com que a cor se desvaneça, podendo tornar-se mesmo translúcida.

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Em causa está o aquecimento global originado por gases de efeito estufa na atmosfera, que constitui uma grande ameaça aos ecossistemas de recifes de coral do mundo inteiro.

O Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas refere que a maioria dos recifes de corais tropicais tende a desaparecer, mesmo que o aquecimento global seja limitado a 1,5 graus, correndo um «risco muito elevado» se a temperatura for de 1,2 graus. O mundo aqueceu cerca de um grau, desde a revolução industrial.

Nem todos os corais morrem, alguns perdem a cor quando se encontram durante muito tempo em águas extraordinariamente quentes, podendo voltar a recuperar caso a temperaturas baixem.

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Hughes descobriu durante o estudo, que em zonas centrais dos recifes existem níveis extensos de branqueamento, «comparáveis a 2017», estimando-se que cerca de 22% dos corais de águas superficiais estejam mortos.

Já Tracey Ainsworth, professora do centro de ciência e inovação marinha da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, refere que os recifes em águas mais profundas foram menos afectados, em contrapartida o impacto nas zonas superficiais das lagoas, foi de 100%.

Por sua vez, Richard Leck, chefe de oceanos do grupo ambiental australiano WWF, considera que a única forma de proteger os recifes é mesmo limitar o aquecimento global a 1,5 graus. «É necessário estabelecer uma meta de 1.5 graus e um plano realista para conseguirmos cumpri-la», disse citado pelo ‘The Guardian’.

Recorde-se que já no final do mês de Fevereiro a ‘Executive Digest’ tinha noticiado a possibilidade desta Grande Barreira de Corais, vir a enfrentar o terceiro maior branqueamento dos últimos cinco anos, facto que agora se confirma.

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