Graça Freitas: «Quando diminuirmos as medidas, a curva pode ter tendência para subir»

Declarações prestadas na conferência da Direcção Geral da Saúde desta quinta-feira, que actualiza os últimos desenvolvimentos da pandemia da Covid-19 em Portugal.

Simone Silva

O secretário de estado da saúde, António Sales, refere na conferência de imprensa diária da Direcção Geral da Saúde (DGS) desta quinta-feira, que «Portugal ultrapassou a barreira dos 300 mil testes realizados». Desde o dia 1 de Março foram feitos 302 mil testes, uma testagem de 27.925 pessoas por milhão de habitantes, superior a muitos outros países europeus.

O responsável refere que do total de testes, 49% foram realizados no público, 45% no privado e os restantes 6% em outras instituições. Existem já mais de 35 mil utentes inscritos na plataforma Trace-Covid, com mais de 30 mil em vigilância clínica, segundo António Sales.

Desde 9 de Março foram transferidos cerca de 2.300 doentes de hospitais do SNS para as unidades de rede nacional de cuidados continuados integrados e encontradas respostas sociais para «libertar camas cruciais nesta altura», num empenho para que o SNS possa continuar «a responder positivamente às diferentes fases da epidemia», afirma o responsável.

O número de cirurgias aumentou cerca de 12% relativamente ao mesmo período do ano passado, sublinha o responsável que continua a apelar a que as pessoas que realmente necessitem não deixem de se deslocar às urgências. «Não tenha medo, é seguro ir às urgências».

António Sales indica que existiu uma diminuição de 6,6% de consultas nos cuidados primários no primeiro trimestre de 2020, contudo verifica-se também um aumento de 26,9% de consultas não presenciais, numa adaptação «às novas tecnologias».

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A directora geral da saúde, Graça Freitas, também marcou presença na conferência, explicando que o ‘R’, corresponde ao número de pessoas que se infectam a partir de um caso de infecção, «quanto maior for o ‘R’, maior é a capacidade da curva subir exponencialmente», o objectivo é tentar diminuí-lo, explica, dizendo que «este é apenas um dos indicadores da forma como a epidemia está a decorrer»

«Quando diminuirmos as medidas, a curva pode ter tendência para subir», refere Graça Freitas explicando que por isso «descomprimir ou não as medidas restritivas depende da curva, da capacidade do sistema de aguentar a mudança e da capacidade dos países de monitorizar os dois primeiros factores», indica a responsável, sublinhando novamente que «não há um número mágico», mas garantindo que Portugal está actualmente no «ponto de equilíbrio».

«Temos de conciliar as questões sanitária, social e económica e acompanhar o efeito do alívio de medidas na epidemia».

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No que diz respeito às máscaras, a directora geral da saúde distingue os três tipos: respiradores (apenas para os profissionais de saúde), cirúrgicas e agora as novas «máscaras sociais ou comunitárias», dizendo que estas últimas estão a ser fabricadas pela indústria nacional, com requisitos estabelecidos pelo Infarmed. Graça Freitas indica que as máscaras sociais devem ser usada nos mais diversos espaços públicos para prevenir um eventual contágio.

«Se um determinado estabelecimento decidir que para além de todas as outras medidas, considera importante utilizar máscaras, pode fazê-lo sem descurar as outras medidas», refere Graça Freitas, sublinhando que «as máscaras não são solução única».

No que diz respeito ao facto de não se utilizarem máscaras nas celebrações do 25 de Abril, Graça Freitas indica que «existe um óptimo plano de contingência», com todas as condições de segurança reunidas.

Relativamente aos lares, a percentagem de doentes infectados «é pequena, mas existe uma grande concentração de pessoas», que constituem «sítios de preocupação porque contém pessoas vulneráveis». Graça Freitas indica que aconteceram 327 óbitos em lares: 180 na região norte; 106 na zona centro; 30 em Lisboa e Vale do Tejo, uma no Alentejo e uma no Algarve.

Portugal regista actualmente 22.353 casos confirmados de infecção por Covid-19, mais 371 do que no dia anterior e ainda 820 vítimas mortais, segundo o boletim epidemiológico divulgado há instantes pela DGS.

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