A directora geral da saúde, Graça Freitas, refere na conferência diária da DGS desta quarta-feira, que Portugal pode já estar no pico ou planalto da curva epidemiológica do novo coronavírus, explicando que os cientistas tendo por base a realidade dos números, projectam o futuro e é desta combinação que é feita uma estimativa do pico ou do planalto.
Segundo a directora geral da saúde, nos últimos dias tem havido uma certa estabilidade das duas curvas: real e projectada. Contudo, Graça Freitas refere que «isto não são dados garantidos, temos de olhar com muita cautela e precaução», sublinhando que «se levantarmos as medidas restritivas a curva pode voltar a subir».
A responsável indica ainda que um teste sorológico só deve ser feito quando existe uma subida de anticorpos, na fase convalesça da doença, mas a ciência ainda permite dizer qual o tempo adequado para estudar os anticorpos.
Graça Freitas indica que «Estamos a aprender com a experiência de outros países», qual o comportamento da imunidade. «Temos que aguardar um caminho para saber quais os tempos e valores» em que esse teste deva ser realizado, segundo a responsável, que indica ainda que «não sabemos quantos portugueses estão imunes». A responsável defende que «não basta ter anticorpos, tem de haver protecção».
Relativamente aos idosos, Graça Freitas distingue duas situações: um idoso que entra pela primeira vez no lar deve ter um teste negativo e ficar depois em quarentena durante 14 dias; um residente no lar, assintomático, que sai do lar apenas para exames, não faz teste mas fica em isolamento.
Segundo Graça Freitas, a taxa de letalidade na zona norte é sobreponível ao resto do país, na zona centro é superior, 5,1%, na região de Lisboa é inferior à nacional e no Algarve é superior à nacional. Será necessário fazer uma «padronização» das taxas, refere a responsável. A densidade populacional, a demografia e a concentração em lares de idosos são factores que podem determinar a variação da taxa.
A acompanhar Graça Freitas estava também o secretário de estado da saúde, António Sales, que refere que a taxa de letalidade global é de 2,9% e acima dos 70 anos 11,3%. 11.354 pessoas encontram-se em isolamento domiciliário, 9.2% em internamento e 1,9% nos cuidados intensivos, registando-se uma descida nesta última.
O responsável ressalva que « Portugal só vence esta difícil provação com o empenho de todos, somos todos necessários, temos obrigação de estar à altura», sublinhando por isso que «Não podemos vacilar. A resposta tem de ser firme e determinada».
«Desde dia 1 de Março já foram processadas mais de 130 mil amostras», segundo António Sales que revela que esta informação está disponível a partir de hoje no microsite da Covid-19.
Foram distribuídos 65 mil testes na semana no norte do país, segundo o secretário de estado, que refere que existe «garantidamente um reforço da capacidade de testagem». Portugal tem uma capacidade de testagem diária de 11 mil testes, «não temos falta de testes nem de zaragatoas», indica António Sales.
Relativamente aos testes em lares, os mesmos são privilegiados dependendo da densidade populacional.
No que diz respeito aos enfermeiros do INEM que eventualmente possam ter recusado um determinado material, o secretário de estado indica que não teve nenhum conhecimento dessa situação. No que diz respeito às palavras do bastonário da ordem dos médicos que defende que devem ser feitos testes de 15 em 15 dias, o responsável refere que «cabe à DGS deliberar soluções nesta matéria».
Portugal regista actualmente 13.141 casos confirmados de infecção por Covid-19 e 380 vítimas mortais, de acordo com os dados do boletim epidemiológico, divulgados nesta quarta-feira pela DGS. Existem quase seis mil pessoas a aguardar as análises laboratoriais e 24.481 encontram-se sob vigilância das autoridades sanitárias. Até ao momento 196 pacientes, recuperaram da doença.










