Governo trabalhista pode arrastar Reino Unido de volta à UE como membro associado, garante especialista

Sir Keir Starmer e outras figuras importantes do Partido Trabalhista embarcaram recentemente numa viagem pelo continente europeu, no qual esteve incluído um encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, para conversas “muito construtivas e positivas”

Francisco Laranjeira
Setembro 25, 2023
12:04

O Partido Trabalhista pode reverter efetivamente o Brexit, segundo alertou esta segunda-feira um importante especialista em política ao jornal britânico ‘Express’, arrastando o Reino Unido de regresso a uma UE cada vez menor, com membros associados. De acordo com a publicação, sir Keir Starmer e outras figuras importantes do Partido Trabalhista embarcaram recentemente numa viagem pelo continente europeu, no qual esteve incluído um encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, para conversas “muito construtivas e positivas”.

O líder trabalhista também fez uma viagem ao Canadá, onde esteve presente uma conferência de centro-esquerda dedicada ao facto de o Reino Unido não querer divergir dos regulamentos do bloco da União Europeia: recorde-se que França e Alemanha discutiram a criação de um nível de adesão associado para integrar países como o Reino Unido fora do grupo principal da UE. A proposta franco-alemã prevê quatro círculos de adesão ao projeto europeu, em que o último patamar destina-se a países com valores políticos semelhantes mas sem regras vinculativas ou acesso ao Mercado Único.

De acordo com sir Keir Starmer, o Partido Trabalhista não quer reverter o Brexit mas, segundo Roger Bootle, conselheiro independente sénior e diretor não-executivo da ‘Capital Economics’, indicou, aos britânicos do ‘The Telegraph’, que “a Europa está a encolher” em termos de importância para a economia mundial e que os responsáveis britânicos podem deixar-se seduzir pelas ofertas de adesão diluídas.

“O grande perigo reside num Governo trabalhista, sem dúvida instigado por sir Tony Blair, ser seduzido a aderir ao terceiro anel, ou seja, à adesão associada, revertendo assim efetivamente o resultado do referendo de 2016, mas colocando-nos numa posição pior do que estávamos antes do Brexit”, apontou o especialista, acrescentando que se o Reino Unido procurasse ser membro do “terceiro círculo” de membros associados haveria “desvantagens decididas”.

“Mais importante ainda, estaríamos sujeitos a todas as regras e regulamentos da UE e cairíamos sob a jurisdição do Tribunal de Justiça Europeu, com sede no Luxemburgo. Além disso, teríamos de nos comprometer, mais uma vez, com a livre circulação de pessoas entre os estados membros da UE”, indicou.

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