30Depois de uma semana marcada pela recolha do máximo de contributos por parte dos diversos setores e players, o Governo prepara-se, esta quinta-feira, para anunciar como será a vida dos portugueses após o estado de emergência.
Somam-se e repetem-se os avisos de que não existirão facilitismos, que a palavra chave continuará a ser contenção, assim como que “o fim do estado de emergência não significa o fim do surto”, como tanto o sublinharam o primeiro-ministro António Costa e o Presidente da Repúblcia, Marcelo Rebelo de Sousa.
A reabertura gradual de vários setores de atividade e o alívio progressivo do desconfinamento passará, incontornavelmente, sobre o desporto e a cultura, entre outros eventos, sobre os grandes festivais de música que se realizam no nosso país. Como “nem só de pão vive o povo”, os portugueses aguardam novidades nestas matérias e os empresários destas áreas, já afetados em muitos milhões, como é o caso dos clubes de futebol, esperam um regresso para o mais breve possível.
Sobre o futebol, António Lacerda Sales, durante a conferência de imprensa diária de acompanhamento da pandemia de Covid-19 em Portugal de ontem, quarta-feira, assegurou que são medidas “em estudo e que estão a ser acompanhadas por um grupo de trabalho onde está integrada a própria Direção-Geral da Saúde”.
Deixando o anúncio para António Costa, assegurou que as decisões terão em conta a necessidade de “estarem asseguradas as condições de segurança de todos os intervenientes no processo de retoma do futebol”.
Na terça-feira, António Costa reuniu-se com os presidentes da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) e dos clubes Benfica, FC Porto e Sporting, na qual ficou assente que a decisão seria tomada “nos próximos dias” após análise de um grupo de trabalho que junta “FPF, a Liga e autoridades de saúde”.
A garantia foi dada pelo presidente da FPF, Fernando Gomes, que deu conta do interesse do futebol profissional “em reativar” as competições, cabendo agora aos especialistas um parecer final, transmitido depois ao primeiro-ministro, que anunciará a decisão na quinta-feira, quando revelar ao país “um conjunto de medidas para diminuir o confinamento”.
Também o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, explicou, após uma reunião em que também estiveram presentes o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, e António Lacerda Sales, que após o Conselho de Ministros de quinta-feira serão dadas informações mais concretas sobre “uma série de medidas do levantamento de restrições no país”, em que “o desporto não podia ser deixado para trás”.
“A primeira preocupação é a saúde pública, mas o Governo também compreende que nesta modalidade em particular há um impacto económico muito relevante para a indústria. Se não podemos deixar colapsar a indústria de uma forma geral, a indústria do futebol também não deve ficar à margem desta preocupação para que não haja esse colapso”, disse o secretário de Estado.
No campo da cultura, o Governo também reuniu, em São Bento, com os promotores dos maiores festivais de música e ouviu as suas sugestões e preocupações, remetendo uma decisão sobre a eventual realização dos eventos para depois do conselho de ministros de hoje, quinta-feira.
Nesta reunião, estiveram presentes Roberta Medina (Rock in Rio), Álvaro Covões (NOS Alive), Jorge Lopes (MEO Marés Vivas) Luís Montez (Super Bock Super Rock, MEO Sudoeste), João Carvalho e Filipe Lopes (Vodafone Paredes de Coura) e Diogo Marques (EDP Vilar de Mouros).
“Ouvimos as preocupações de todos e quais são os grandes desafios que se colocam principalmente este verão pela situação epidemiológica que temos vivido e agora com o aproximar de uma reabertura progressiva nos próximos meses”, disse Graça Fonseca na conferência de imprensa que se seguiu à reunião, “foram identificados os principais desafios e o governo irá decidir em seguida com base naquilo que ouvimos hoje”. A ministra sublinhou, no entanto, “a diversidade” dos vários eventos, o que pode pressupor que as medidas não serão idênticas para todos os festivais que se estendem pelos meses de verão.
Questionada sobre se haverá condições sanitárias para a realização de eventos que atraem milhares de pessoas, Graça Fonseca disse que é uma das questões já discutidas com a ministra da Saúde, Marta Temido, mas não quis pronunciar-se a fundo sobre esta matéria.




