Uma antiga apoiante de Donald Trump lançou um ataque público ao presidente americano devido ao conflito com o Irão, expondo fissuras cada vez mais visíveis na sua base política. A entrevista, citada pelo ‘The Independent’, revela um crescente mal-estar entre figuras próximas do movimento MAGA perante a escalada militar.
Carrie Prejean Boller, influencer e antiga Miss Califórnia, não poupou críticas durante uma entrevista ao programa ‘Piers Morgan Uncensored’. “Sou uma apoiante leal do presidente há quase 20 anos… e digo agora mesmo: não reconheço o nosso presidente”, afirmou, sublinhando a rutura com o líder.
A crítica foi ainda mais longe. “Acho que somos uma nação ocupada. Acho que um país estrangeiro ocupou o nosso Governo”, declarou, numa referência implícita à influência de Israel na política externa americana. “O MAGA está morto. Está mais morto do que morto. Os americanos estão furiosos”, acrescentou.
As declarações surgem num contexto de guerra crescente, iniciada a 28 de fevereiro, que já provocou milhares de mortos e uma escalada regional. O Irão respondeu aos ataques dos Estados Unidos e de Israel com ofensivas no Golfo, atingindo infraestruturas e pressionando rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
O impacto político interno nos Estados Unidos começa a ser evidente. Segundo o ‘The Independent’, membros da própria administração terão expressado arrependimento em conversas privadas, embora a Casa Branca rejeite qualquer divisão e insista que o círculo próximo de Trump permanece unido.
No entanto, a base de apoio do presidente mostra sinais claros de fragmentação. Figuras influentes do universo conservador entraram em confronto público, dividindo-se entre posições anti-intervencionistas e defensores de uma linha mais dura na política externa.
A tensão atingiu também a administração. Sameerah Munshi, assessora ligada à Comissão de Liberdade Religiosa da Casa Branca, demitiu-se em protesto contra os ataques aéreos, num gesto que reforça a perceção de descontentamento interno.
Prejean Boller já tinha protagonizado polémicas recentes, incluindo uma audiência sobre antissemitismo onde questionou definições e defendeu figuras controversas. Após o seu afastamento, publicou uma carta aberta dirigida a Trump, na qual criticou a direção do movimento.
“Eu pensava que o MAGA colocava os Estados Unidos em primeiro lugar, não Israel. Hoje, tenho dificuldade em reconhecer o movimento que você iniciou”, escreveu.
A guerra com o Irão está assim a expor uma divisão profunda no universo político que sustenta Trump, levantando dúvidas sobre a coesão do movimento que o levou ao poder.














